Desembargadora mantém alvos da Águas Claras na cadeia

Desembargadora mantém alvos da Águas Claras na cadeia

Alta cúpula da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos é suspeita de envolvimento em desvios que podem chegar a R$ 40 milhões

Julia Affonso

11 de abril de 2017 | 22h28

Coaracy Nunes foi preso na Operação Águas Claras. Foto: José Lucena/Futura Press

Coaracy Nunes foi preso na Operação Águas Claras. Foto: José Lucena/Futura Press

A desembargadora Cecília Mello, do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região negou liberdade à alta cúpula da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), presa na Operação Águas Claras.

Com a decisão, continuam custodiados o presidente da Confederação, Coaracy Nunes, e outros três dirigentes da CBDA, Ricardo Cabral (Coordenadoria Técnica de Polo Aquático), Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga (Diretor Financeiro) e o secretário-geral de Natação e Executivo da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Ricardo de Moura.

A decisão de Cecília Melo deve agilizar a apresentação de denúncia criminal do Ministério Público Federal à Justiça contra o grupo sob suspeita para abertura de ação penal.

As investigações apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à CBDA, que não teriam sido devidamente aplicados nos esportes aquáticos.

O presidente da Confederação e os outros dois dirigentes da CBDA estão custodiados na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu – mesmo presídio onde está o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, capturado na Operação Lava Jato em novembro.

Entre as fraudes investigadas pela Águas Claras, estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Há indícios de que a empresa vencedora seria apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista funciona uma pet shop.

Também é alvo da Águas Claras a contratação, com suspeitas de irregularidade, de agência de turismo que venderia passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Essas contratações irregulares eram realizadas com verbas federais obtidas por meio de convênios com o Ministério dos Esportes.

A operação apura ainda a suposta apropriação por parte dos dirigentes da CBDA de premiação de US$ 50 mil que deveriam ter sido repassados a atletas. Além disso, estima-se que cerca de R$ 5 milhões, provenientes do Ministério dos Esportes, deixaram de ser aplicados na modalidade polo aquático. Embora a CBDA tenha recebido esta verba federal para aplicação nos torneios nacionais e internacionais, seus dirigentes não autorizaram a ida da seleção de Polo Aquático Júnior, campeã sul-americana e panamericana, para o Mundial do Cazaquistão, sob o argumento da falta de recursos financeiros.

Na esfera cível, o Ministério Público Federal já levou à Justiça duas ações de improbidade administrativa contra o presidente da Confederação, Coaracy Gentil Monteiro Nunes Filho, outros dirigentes e empresários pelas fraudes em licitações para a aquisição de itens esportivos.

A Operação Águas Claras está sendo conduzida pela Polícia Federal e pelos procuradores da República do Núcleo de Combate à Corrupção em São Paulo Thaméa Danelon, José Roberto Pimenta Oliveira e Anamara Osório Silva, com a participação da Controladoria-Geral da União.

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