Desembargador do TRE de São Paulo suspende inquérito que investiga Moro por suposta fraude em mudança de domicílio eleitoral

Desembargador do TRE de São Paulo suspende inquérito que investiga Moro por suposta fraude em mudança de domicílio eleitoral

Pepita Ortega

27 de julho de 2022 | 13h42

Sérgio Moro e sua mulher, a advogada Rosângela Moro. Foto: Reprodução/Instagram de Rosângela Moro

O desembargador Marcio Kayatt, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, acolheu pedido da defesa do ex-juiz Sérgio Moro e de sua mulher, Rosângela, e suspendeu o inquérito policial instaurado para apurar suposta fraude e ma-fé na mudança de domicílio eleitoral do casal, de Curitiba para São Paulo – a transferência do ex-juiz foi barrada pela corte. A decisão tem validade até que o TRE analise o mérito do habeas corpus impetrado por Moro e Rosângela contra a investigação.

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A decisão foi proferida na tarde desta terça-feira, 26, no âmbito de um recurso impetrado pela defesa de Moro e Rosângela contra decisão do Juízo da 5ª Zona Eleitoral de São Paulo, que manteve o trâmite de inquérito aberto para apurar suposta inscrição fraudulenta de eleitor. O casal alega que não há ‘justa causa’ para a continuidade da investigação ‘pela atipicidade dos fatos e pela inexistência de demonstração mínima de dolo na conduta’.

Ao analisar o caso, Kayatt ponderou que, apesar de o crime sob suspeita não demandar ‘nenhuma finalidade eleitoral específica para sua configuração, e, portanto, dispense a demonstração de qualquer liame doloso específico’, as informações do processo indicam, ‘em um exame superficial’, que o requerimento de transferência eleitoral ‘não se deu por meio de um expediente ardil’.

O desembargador registrou que, no julgamento em que a corte eleitoral barrou a transferência eleitoral de Moro e Rosângela, ‘em momento algum provou-se, ou mesmo chegou-se a alegar, eventual conduta ardilosa’ do casal.

Segundo o magistrado, a decisão do TRE teve por fundamento ‘único e exclusivo’ a compreensão da maioria dos integrantes do colegiado de que o ex-juiz ‘não se desincumbiu de provar o vínculo efetivo com o pretendido domicílio para o qual pretendia se transferir’.

O magistrado registrou ainda que o voto do relator de tal julgamento registrou que ‘não se estava ali a atribuir a Sérgio Moro qualquer conduta de má-fé’. Além disso, Kayatt frisou que no caso de Rosangela, ‘ao menos até o presente momento, sequer houve alguma impugnação da transferência de seu domicílio eleitoral’.

“De mais a mais, o prosseguimento dos procedimentos acaba por representar perigo de lesão ao direito dos pacientes de não serem objeto de investigações destituídas de justa causa, o que, em tese, pode caracterizar constrangimento ilegal”, ponderou.

COM A PALAVRA, A DEFESA

Para o advogado do casal Sergio e Rosângela Moro, Gustavo Guedes, a concessão do habeas corpus evita constrangimento ilegal e gastos de recursos públicos desnecessariamente, na medida em que, “ausente o dolo, haveria a tramitação de um longo inquérito que ao final não teria qualquer resultado prático, pois o pressuposto da condenação criminal seria a má-fé, reconhecidamente inexistente no caso concreto.”

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