Desembargador solta ucraniano após juiz de custódia pedir tradutor da União Soviética

Desembargador solta ucraniano após juiz de custódia pedir tradutor da União Soviética

Luiz Noronha Dantas, do Tribunal de Justiça do Rio, considerou que houve 'imperícia estatal' na obtenção de intérprete para turista detido por suspeita de furto a uma loja

Pepita Ortega

08 de janeiro de 2020 | 14h14

Kremlin visto de fora da Praça Vermelha. Moscou, Rússia. Foto: Natália Russo/AE

O Tribunal de Justiça do Rio determinou a soltura de um turista ucraniano detido por suspeita de furto a uma loja. Em decisão liminar, dada no sábado, 4, o desembargador Luiz Noronha Dantas indicou que o relaxamento da prisão do turista se dava não só pelo fato de a prisão em flagrante não ter sido convertida em preventiva em 24 horas, mas também por ter havido ‘imperícia estatal’ na obtenção de intérprete para o ucraniano – o juiz de custódia havia solicitado um intérprete à União Soviética, extinta em 1991.

A informação foi divulgada pela Defensoria Pública do Rio, que chamou a atenção, em pedido liminar, para ‘a ilegalidade da prisão tendo em vista a demora para a realização da audiência de custódia’.

Segundo a Defensoria, após solicitação de intérprete da União Soviética, o juiz encaminhou a requisição ao Consulado da Rússia.

Em resposta, foi informado que o tradutor seria inviável por ‘problemas diplomáticos’.

Os países têm uma relação tensa há cinco anos, desde que a Rússia anexou a Península da Crimeia, em março de 2014, após um referendo rejeitado por Kiev e pelo Ocidente.

Após a anexação teve início um conflito entre as forças separatistas ucranianas e pró-Rússia, que dura até hoje, tendo deixado mais de 13 mil mortos.

 

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