Desembargador que humilhou guarda reaparece sem máscara em praia de Santos

Desembargador que humilhou guarda reaparece sem máscara em praia de Santos

Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira, que chamou agente de 'analfabeto' e rasgou multa recebida por estar sem o EPI obrigatório na pandemia, voltou a dispensar equipamento durante caminhada nesta quarta, 5

Redação

06 de agosto de 2020 | 10h39

O desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha Siqueira, que ofendeu e tentou intimidar guardas civis municipais ao ser abordado por estar sem máscara de proteção facial obrigatória, foi flagrado novamente sem o EPI durante uma caminhada em uma praia de Santos, no litoral paulista.

Imagens obtidas pelo G1, que teriam sido feitas na manhã desta quarta-feira, 5, mostram o magistrado caminhando pela faixa de areia, com a máscara no pescoço, enquanto falava ao celular. Segundo o portal, Siqueira disse que ‘provavelmente’ não era ele.

O desembargador Eduardo Siqueira foi flagrado humilhando guarda municipal em Santos. Foto: Reprodução

Relembre o caso. Flagrado sem máscara enquanto caminhava em uma praia de Santos, o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo chamou de ‘analfabeto’ o guarda que lhe pediu que colocasse o EPI – obrigatório em locais públicos, comércios, transportes e ambientes de trabalho em Santos desde maio em razão da pandemia do novo coronavírus.

O magistrado chegou a desafiar os agentes a multá-lo e a insinuar que jogaria a autuação ‘na cara’ do guarda caso ele insistisse na notificação. Siqueira também ligou para o secretário de Segurança Pública do município e evocou um suposto irmão procurador de Justiça para intimidar os guardas. O caso ganhou repercussão depois que vídeos da abordagem passaram a circular nas redes sociais (assista abaixo).

O episódio rendeu ao desembargador uma investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, entendeu que os fatos podem caracterizar conduta que infringe os deveres dos magistrados estabelecidos na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e no Código de Ética da Magistratura.

Dias depois do flagra, o magistrado divulgou nota pública se dizendo arrependido pela maneira como tratou o guarda municipal, pedindo desculpas por ter se exaltado e admitindo que nada justifica os ‘excessos’ ocorridos.

“Me exaltei, desmedidamente, com o guarda municipal Cícero Hilário, razão pela qual venho a público lhe pedir desculpas”, escreveu. “Nada disso, porém, justifica os excessos ocorridos, dos quais me arrependo”, completou.

Já ao Conselho Nacional de Justiça, o desembargador adotou outra estratégia e voltou a atacar o guarda de Santos, a quem acusou de ‘abuso de autoridade’.

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