Desembargador nega domiciliar e políticos investigados por propinas na Operação Reciclagem seguem presos

Desembargador nega domiciliar e políticos investigados por propinas na Operação Reciclagem seguem presos

Quatro prefeitos e um ex-deputado estadual entraram na mira da Polícia Federal e do Ministério Público de Rondônia por suspeita de crimes contra a administração pública; investigação teve início após denúncia de empresário que alega ter sido coagido a fazer pagamentos de propinas para receber por serviços prestados ao poder público

Rayssa Motta

28 de setembro de 2020 | 18h04

Os quatro prefeitos e o ex-deputado estadual investigados na Operação Reciclagem, que apura crimes contra a administração pública em municípios de Rondônia, continuam presos em regime fechado. No final de semana, o desembargador responsável pelo plantão do Tribunal de Justiça do Estado negou dois pedidos para substituir as prisões preventivas por domiciliares.

Na decisão, o magistrado considerou que a análise dos habeas corpus não cabe ao plantão judicial e determinou que os pedidos fossem encaminhados ao relator do caso, o desembargador Roosevelt Queiroz Costa – responsável por autorizar, em primeiro lugar, as prisões e o afastamento dos prefeitos por até 120 dias, além do bloqueio de bens na ordem de R$ 1,5 milhões e do cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o grupo.

“Por não se tratar de hipótese que deve ser analisada durante o plantão, encaminhem-se o pedido para que se efetive a devida distribuição no regular expediente forense, quando poderá ser analisado o pedido pelo relator prevento, no caso, o Des. Roosevelt Queiroz Costa”, determinou o plantonista.

Operação Reciclagem prendeu os políticos e apreendeu R$ 5 milhões em dinheiro e joias. Foto: Polícia Federal

Os políticos foram presos na última sexta-feira, 25, em operação conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral de Justiça de Rondônia. São eles: Luiz Ademir Schock (Rolim de Moura), Marcito Aparecido Pinto (Ji-Paraná), Glaucione Rodrigues (Cacoal), Gislaine Clemente (São Francisco do Guaporé) e Daniel Neri (ex-deputado e marido de Glaucione).

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início em dezembro de 2019 e contou a colaboração de empresário que resolveu decidiu as autoridades para denunciar a suposta cobrança de propinas em troca do recebimento de dívidas pela prestação de serviços ao poder público.

Em entrevista coletiva após as diligências, o delegado Flori Júnior, responsável pela investigação, informou que o esquema começou no município de Rolim de Moura, mas a Polícia Federal obteve vídeos de todos os prefeitos recebendo propinas. “Eles sabem o que fizeram no verão passado”, disse.

Afastamentos. Ao autorizar as prisões preventivas dos prefeitos investigados, o desembargador Roosevelt Queiroz Costa considerou que houve indícios suficientes de autoria ou participação dos acusados.

“De acordo com a decisão, os agentes são nada menos que chefes de Poder, situados no topo da cadeia do funcionalismo público e com espectro amplo de atuação nos atos da administração pública local. Estão exatamente no centro do poder político e fazendo dele uso para fins estritamente pessoais”, informou a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Rondônia. A íntegra decisão não foi disponibilizada em razão do sigilo do processo.

A Corte informou que o desembargador delimitou formalmente os afastamentos por até 120 dias para evitar descontinuidade de gestão ‘especialmente no período de pandemia’. Ao final do prazo, caso a investigação ainda não tenha sido finalizada, os investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público deverão se manifestar sobre a necessidade de manutenção ou revogação das preventivas e uma nova decisão judicial será tomada.

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