Desaprenda

Desaprenda

Cassio Grinberg*

31 de agosto de 2019 | 08h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quanto mais rapidamente o mundo se move, mais fundamental se torna nossa capacidade de reaprender. Reaprender ‘verdades’ sobre a vida pessoal e sobre a dinâmica dos mercados. Reaprender a se mover depois que essa dinâmica mudou nossa estrada de lugar.

Para aprender de novo precisamos, primeiro, desaprender. Desaprender é desapegar das ortodoxias de nosso cérebro. É esvaziar a caixa, abrir novos espaços e tirar o pó das prateleiras internas. Desaprender é incremental e constante, e deveria ser como cortar as unhas: algo que precisamos fazer frequentemente — principalmente com o passar dos anos, quando a caixa enche até transbordar.

Desaprender é a fundação do propósito. A condição da longevidade. O selo do pitch. E quanto mais cedo desaprendermos, mais chance teremos de reinventar em vez de sermos reinventados. Surrealista, apocalíptico, camaleão. Salvador, crooner, romântico — já reparou em como David Bowie antecipava o final de ciclos e desaprendia o personagem que criava bem quando as vendas estavam em alta?

Desaprender entrega mobilidade, poder “sermos água”, como sugeria Bruce Lee. E desaprender acontece em viagens, no extraordinário, ou mesmo na intuição. Desaprender é desligar o cronômetro do espelho, o indexador das redes, o grupo de WhatsApp de padaria.

Pense como um unicórnio: enquanto os táxis se recusaram a desaprender, o Uber criou um modelo barato e rápido. Enquanto os hotéis se recusaram a desaprender, o Airbnb criou um modelo intimista e próximo da “experiência real”. Enquanto os supermercados estão se recusando a desaprender, o Instacart criou um modelo para nos tirar da experiência maçante e demorada de ir às compras. A Lego está disposta a não ter mais peças plásticas até 2030: decidiu desaprender para não desaparecer.

Desaprender é enxergar o problema mais de perto. E com isso poder resolvê-lo antes que alguém resolva por nós. Desaprender é se abrir para o novo. E com isso poder chegar cada vez mais longe.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting

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