Desafios da alfabetização digital e o papel das empresas de tecnologia nesse cenário

Desafios da alfabetização digital e o papel das empresas de tecnologia nesse cenário

Douglas Ribeiro*

05 de setembro de 2020 | 16h00

Douglas Ribeiro. FOTO: DIVULGAÇÃO

Oito de setembro é Dia Mundial da Alfabetização e devemos lembrar alguns números relevantes para nosso país. Em pesquisa do IBGE de junho de 2019, o Brasil contava com 11,3 milhões de analfabetos com idade acima de 15 anos, o que corresponde a 6,8% da população. É um desafio constante levar conhecimento e educação para todos em um país onde cada região tem um contexto bastante diverso. As escolas estão sem estrutura, os alunos não têm fácil acesso à materiais didáticos, professores não possuem recursos, sem contar questões como merenda e transporte.

O que pode nos ajudar neste contexto é a tecnologia. Pedagogos vêm trabalhando novas possibilidades de alfabetização digital na tentativa de serem mais inclusivos e contarem com mais ferramentas didáticas. O livro de papel continua tendo grande importância em nossas vidas, mas suas limitações de acesso podem ser superadas com o digital. A 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) e divulgada em abril de 2019, destacou o uso de smartphones no país. Haviam registrados 230 milhões de celulares ativos no Brasil. Lembrando que a nossa população total é de 209 milhões.

Percebemos, portanto, que há mais de um smartphone por habitante no país hoje. A acessibilidade do celular é alta e a internet chega a praticamente todas as regiões, fazendo com que a alfabetização digital seja uma realidade, alcançando milhões de pessoas. E podemos ir um pouco mais além: o mundo hoje é digital e o raciocínio computacional será fundamental para o futuro das crianças. É uma adaptação da nova geração e de suas necessidades. Muitos pensam que os jovens não leem mais, que ficam apenas com vídeos e redes sociais. A realidade é que abandonaram os livros impressos, assim como muitas outras plataformas físicas, mas não abandonaram a leitura e o interesse pelo conhecimento.

É claro que nem tudo é tão simples assim. O grande desafio está em fazer com que a leitura seja algo confortável e estimulante através de uma tela de celular ou computador. E é neste momento que a tecnologia se torna inovação e contribui com temas como a democratização da leitura e da informação. Os custos com papel e impressão hoje são direcionados para a diagramação e adaptação à tela do celular, além do desenvolvimento de novas tecnologias para a plataforma ser rápida, leve, intuitiva e interessante. Isso sem contar com a ajuda ao meio ambiente, pois os impactos do desenvolvimento de aplicativos são bem menores do que a impressão de livros.

O Brasil está perto de completar seis meses de pandemia do coronavírus. Seis meses de escolas fechadas e crianças com aprendizados em casa. Algumas das adaptações que tiveram que ocorrer forçadamente neste período vieram para serem permanentes. O mundo digital pode ajudar muitos pais a ensinarem os filhos com qualidade e bom conteúdo. O hábito da leitura pode ser adquirido com aplicativos de livros digitais e outros incentivos já que as crianças nascem cada vez mais digitais. As escolas particulares de São Paulo também já estão se movimentando para buscar a modernização tecnológica em seu ensino, sendo o mais inovadora possível. Isso indica que nos próximos anos o computador será companheiro de alunos no ensino fundamental e a tela do celular seu melhor amigo.

Tecnologias inovadoras estão nascendo para que o conhecimento seja acessível e venha de forma versátil. É o caso, principalmente, de aplicativos que vem se destacando no mercado. Pesquisas tem mostrado o aumento da leitura pelo celular e o interesse em livros digitais. E neste contexto surgiram plataformas como o AYA BOOKS Kids, simples e exclusivo para crianças, apresentando hoje em torno de 400 mil usuários com acesso a um livro por mês, com vocabulário adequado e imagens atrativas para o estímulo da leitura. Os usuários buscam hoje aplicativo leves, que funcionam em vários aparelhos e podem atingir milhões de leitores, que nem sempre possuem uma biblioteca física por perto para praticar o ato da leitura. Além disso, muitos apps tem oferecido a opção de serem baixados e lidos no modo offline, ou seja, sem consumir a internet do leitor.

Gestores, empresários e grandes companhias também podem ajudar no combate ao analfabetismo e a democratização da leitura trabalhando com parcerias estratégicas com serviços envolvendo aplicativos para levar a leitura e o conhecimento a milhões de crianças, usando a tecnologia sempre a nosso favor.

A alfabetização teve um longo e árduo caminho até aqui na história do Brasil, ainda não atingindo suas metas para a diminuição do número de analfabetos e analfabetos funcionais, mas tem muitas oportunidades para se desenvolver com as novas tecnologias e digitalização do conhecimento na palma das mãos no formato de livros digitais.

*Douglas Ribeiro, sócio-diretor da Verisoft e responsável pela área Comercial/Marketing

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