Deputados do PSOL e ativistas preparam representação na Procuradoria contra Bolsonaro por ‘virei boiola igual maranhense’

Deputados do PSOL e ativistas preparam representação na Procuradoria contra Bolsonaro por ‘virei boiola igual maranhense’

Parlamentares pedem ao Ministério Público Federal abertura de investigação por crime de homofobia; ‘Agora virei boiola igual maranhense’, disse o presidente depois de tomar refrigerante cor-de-rosa tradicional no Estado; Presidente do PCdoB do Maranhão acionou Procuradoria por suposta improbidade cometida pelo presidente durante a viagem

Rayssa Motta e Fausto Macedo

30 de outubro de 2020 | 12h25

Deputados do PSOL e ativistas ligados ao partido anunciaram nesta quinta-feira, 29, a preparação de uma representação que será encaminhada nos próximos dias ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a abertura de uma investigação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por homofobia.

A iniciativa é uma reação à ‘piada’ de tom homofóbico feita ontem pelo presidente durante visita ao Maranhão. Em uma parada não programada no município de Macabeira, apoiadores ofereceram a ele um copo de Guaraná Jesus, refrigerante cor-de-rosa tradicional no Estado.

“Agora virei boiola igual maranhense, é isso?”, provocou Bolsonaro, rindo, ao tomar o refrigerante. “É cor-de-rosa do Maranhão aí, ó. Quem toma esse guaraná aqui vira maranhense, hein?”. Indicando a cor da bebida, ele questionou os apoiadores: “Que boiolagem é isso aqui?”.

Após repercussão negativa, Bolsonaro pediu desculpas pela declaração em transmissão ao vivo nas redes sociais. “Foi uma brincadeira, mas a maldade está aí. Quem se ofendeu, eu peço desculpas”, disse.

Após repercussão da piada, Bolsonaro se desculpou em transmissão ao vivo nas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook

Na avaliação dos nomes do PSOL, a fala expressa preconceito com a população LGBTI+ e merece punição por discriminação, sobretudo por ter partido do presidente da República.

“Não é a primeira vez que Bolsonaro é preconceituoso com as pessoas LGBTI+. A campanha dele foi baseada em LGBTIfobia e o governo se dedica a atacar os direitos humanos dessa população a todo momento. O STF já definiu que a discriminação é crime e nós vamos fazer valer essa decisão”, afirma a deputada federal Fernanda Melchionna (RS).

Além dela, subscrevem a representação os deputados federais do PSOL David Miranda (RJ) e Sâmia Bomfim (SP), a deputada estadual Luciana Genro (RS) e o distrital Fábio Félix (DF), além das ativistas Natasha Ferreira, que luta pelos direitos das pessoas trans em Porto Alegre, Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco, Sara Azevedo (MG), Ari Areia (CE), Luana Alves (SP), Erika Hilton (SP) e Vivi Reis (PA).

Improbidade. O deputado federal Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB no Maranhão, também acionou o Ministério Público Federal contra suposta improbidade administrativa cometida pelo presidente Jair Bolsonaro durante a visita feita à Imperatriz (MA).

Na viagem, o presidente afirmou que ‘se Deus quiser, brevemente estaremos para comemorar a erradicação do comunismo em nosso Brasil’ e que comunistas ‘querem roubar o seu dinheiro e a sua liberdade’. Segundo o parlamentar, Bolsonaro utilizou a máquina pública para fazer ‘proselitismo político’ durante as eleições.

“Ficou evidenciado no contexto descrito acima e demonstrado pelas provas que lastreiam a presente representação, que o representado se utilizou de recursos da União com manifesto desvio de finalidade para atender a seus interesses particulares de cunho político-eleitoral, especificamente mediante deslocamentos aéreos, utilização de servidores e utilização de estruturas logísticas em evento oficial”

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