Deputados da Furna da Onça assumem mandato, mas não dão as caras em sessão virtual da Alerj

Deputados da Furna da Onça assumem mandato, mas não dão as caras em sessão virtual da Alerj

Justiça determinou nesta quarta-feira que os cinco parlamentares, que já estiveram presos, retomassem os cargos; PSOL pede cassação

Caio Sartori / RIO

28 de maio de 2020 | 17h59

Com o risco de serem cassados num futuro próximo, cinco deputados que já foram presos no âmbito da operação Furna da Onça assumiram nesta quinta-feira, 28, seus mandatos na Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj, após determinação da Justiça. Nenhum deles, contudo, ligou a câmera do computador ao participar da sessão virtual.

Os parlamentares André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius Neskau (PTB) foram presos em novembro de 2018, no âmbito da Furna da Onça, quando já estavam reeleitos. Depois de um vaivém de decisões judiciais, coube à Assembleia, em outubro do ano passado, votar pela soltura dos deputados.

Uma vez soltos, começou outra novela: a pelo direito a assumir o cargo, que culminou em final feliz para os cinco na tarde de ontem, quando a Justiça do Rio acatou decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e encaminhou ofício à Alerj.

Os cinco já estão com os mandatos em curso nesta quinta-feira, mas apenas um deles, André Corrêa, apareceu na sessão virtual – e sem ligar a câmera. Outros três se limitaram a participar do chat por mensagem, enquanto Chiquinho da Mangueira nem isso fez.

Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Foto: Zô Guimarães/Alerj/Divulgação

Mesmo empossados, os deputados podem ser cassados no futuro próximo – está nas mãos da Mesa Diretora da Alerj, desde o início deste ano, um pedido feito pelo PSOL. Com a posse dos parlamentares, o texto deve ser encaminhado em breve ao Conselho de Ética, a quem cabe dar seguimento ou não à reivindicação.

A Furna da Onça entrou recentemente nos holofotes por causa das acusações feitas pelo empresário Paulo Marinho contra o senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que teria recebido informações vazadas sobre a operação antes dela acontecer.

Apesar de não ser alvo da Furna, Flávio viria a ser atingido por um relatório de inteligência financeira do antigo Coaf que foi incluído na investigação. O relatório citava movimentações suspeitas de funcionários da Alerj, entre eles Fabrício Queiroz, o suposto operador do esquema no gabinete de Flávio que passou a ser investigado pelo Ministério Público do Rio. O caso foi revelado pelo Estadão.

Deflagrada em 2018 pela Polícia Federal, a Furna da Onça tinha como foco a participação de deputados do Rio em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.

No dia 8 de novembro daquele ano, a operação cumpriu 19 mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

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