Deputado usou verba da Câmara para pagar empresa suspeita de desvio

Deputado usou verba da Câmara para pagar empresa suspeita de desvio

A KMC teve como sócio o dono da Malta Locadora que, segundo MPF, foi contratada pelas prefeituras de Emas, Patos e São José de Espinharas, comandadas por parentes de Hugo Motta (PMDB), por valores superfaturados

Fábio Fabrini e Fabio Serapião, de Brasília e Julia Affonso

20 de setembro de 2016 | 05h00

Plenário da Câmara dos Deputados. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Plenário da Câmara dos Deputados. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

O deputado federal Hugo Motta (PMDB-PB) usou verba da Câmara para fazer pagamentos a uma das empresas supostamente usada para desviar recursos para a sua família. O congressista pediu ao Legislativo reembolso de R$ 30 mil pelo aluguel de veículos da KMC Locadora. As notas fiscais, cada uma no valor de R$ 10 mil, foram emitidas em janeiro, fevereiro e março de 2013, quando ele exercia o primeiro mandato.

A KMC teve como sócio o empresário Carlos Alexandre Fernandes Malta, também dono da Malta Locadora. Segundo o MPF, as prefeituras de Emas, Patos e São José de Espinharas, comandadas por parentes do deputado, simulavam ou direcionavam licitações para contratar a Malta a valores superfaturados. Os contratos foram alvo da operação Veiculação que prendeu a mãe de Motta, Illana Motta, e levou coercitivamente para depor sua avó, Francisca Motta.

A empresa, segundo o inquérito em curso, não prestava o serviço em alguns casos. Em outros, subcontratava o fornecimento de veículos de pessoas da comunidade local, a preços inferiores aos que cobrava. Não raro, os próprios gestores dos municípios forneciam os carros ou se encarregavam de angariar locadores na comunidade, o que lhes garantia, inclusive, apoio político.
De 2010 a 2015, a Malta recebeu R$ 11,1 milhões dos três municípios. O Ministério Público Federal (MPF) registra que a única licitação perdida pela Malta, em 2013, na Paraíba, foi justamente para a KMC.

Para os investigadores, as duas empresas têm como sócio oculto Rafael Guilherme Caetano Santos, o Rafa Boy. Ele é genro do prefeito de Espinharas, Renê Trigueiro Caroca (PSDB), casado com a mãe de Hugo Motta.

“O favorecimento da empresa Malta se dava em razão dos laços familiares existentes entre o sócio oculto da firma, Rafael Guilherme, e os gestores das prefeituras de Patos, Emas e São José de Espinharas. É justamente nesses três municípios que a Malta venceu todas as licitações em que participou, beneficiando-se de contratos que atingem cifras milionárias”, sustenta o MPF em relatório sigiloso da investigação, obtido pelo Estado. “Por razões óbvias (vínculo familiar estreito com os prefeitos) que ele (Rafael) não aparece formalmente em nenhum documento relativo à empresa”, acrescenta o documento.

Questionado pelo Estado, o gabinete de Hugo Motta não informou onde e com qual finalidade os veículos foram alugados. Em nota, a assessoria do deputado informou que “todos os contratos de locação já foram auditados pela Câmara, o Tribunal de Contas da União e o MPF, sendo verificada a comprovação da prestação efetiva dos serviços”.

Na nota, a assessoria do congressista afirma que não há citação ao nome dele na Operação Veiculação e que tampouco ele é alvo de investigação ou denúncia. “O parlamentar reitera o compromisso com a legalidade e a moralidade e condena qualquer tentativa de macular sua imagem perante a opinião pública”, concluiu.

Tudo o que sabemos sobre:

Hugo Motta

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: