Deputado quer chamar Guedes para explicar ‘parasita’ e sindicato pede à Procuradoria investigação sobre ministro

Deputado quer chamar Guedes para explicar ‘parasita’ e sindicato pede à Procuradoria investigação sobre ministro

Professor Israel Batista (PV-DF) diz que a colocação de Guedes, que classificou os funcionários públicos como 'parasitas', atenta contra o decoro do cargo de ministro de Estado; o chefe da pasta de Economia do governo Bolsonaro se desculpou pela frase nesta segunda, 10

Pepita Ortega e Fausto Macedo

11 de fevereiro de 2020 | 08h50

O economista, Paulo Guedes, o encarregado do programa econômico de Jair Bolsonaro Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O deputado Professor Israel Batista (PV-DF) protocolou nesta segunda, 10, um requerimento para convocar o ministro Paulo Guedes para prestar esclarecimentos à Câmara por ter classificado os funcionários públicos como ‘parasitas’. A declaração proferida na última sexta, 7, levou ainda o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo a apresentar ao Ministério Público Federal uma representação contra o chefe da pasta de Economia do governo Bolsonaro pedindo apuração de sua conduta.

Durante palestra no seminário Pacto Federativo, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na última sexta, 7, o ministro da Economia afirmou: “O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo. O cara (funcionário público) virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”.

Para Israel Batista, a colocação de Guedes, além de configurar ‘ grave ofensa a todos os 12 milhões de servidores públicos brasileiros’, atenta contra o decoro do cargo de ministro de Estado.

“A falta de respeito e de conhecimento sobre os servidores públicos do Brasil não pode ser admitida por esta Casa”, diz o parlamentar.

Já o Sintrajud indica, na representação enviada ao MPF, que há limites para a manifestação do pensamento, com respeito à dignidade das pessoas, ‘não podendo ser utilizada a garantia da liberdade de expressão para imputar comportamento como aquele mencionado pelo denunciado ao conjunto de servidores públicos’.

O sindicato quer ainda que Guedes explique quem são os servidores que teriam recebido aumento de ‘50% acima da inflação’.

Além da entidade, o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que representa 200 mil servidores públicos, havia indicado que estudava recorrer à Justiça contra o ‘assédio institucional’

Após a declaração, o Ministério da Economia divulgou nota afirmando que o chefe da pasta ‘reconhece a qualidade do servidor público’ e alegando que a imprensa ‘retirou de contexto’ a declaração.

Paulo Guedes ainda se desculpou pela frase nesta segunda, 10. O ministro afirmou que não falava de pessoas, mas ‘do risco de termos um Estado parasitário, aparelhado politicamente financeiramente inviável’. “Me expressei mal e peço desculpas não só aos meus queridos familiares e amigos mas a todos os exemplares funcionários públicos a quem eu possa descuidadamente ter ofendido”, disse.

No entanto, o diretor do Sintrajud e servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Tarcísio Ferreira, indica que apesar do ‘genérico pedido de desculpas’, ‘a transcrição das frases mostra de maneira bem clara e objetiva a compreensão que ele e o governo têm sobre os servidores públicos.

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