Deputado que desceu a rampa do Planalto com Collor após impeachment é delatado por corrupção na Paraíba

Deputado que desceu a rampa do Planalto com Collor após impeachment é delatado por corrupção na Paraíba

Ivan Burity, que se demitiu após a prisão, tem longa carreira política e foi o único parlamentar a votar contra abertura do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor; ele era secretário de Turismo do Estado

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

18 de outubro de 2019 | 05h00

Leandro Nunes de Azevedo, ex-assessor do governo da Paraíba, afirmou, em delação premiada, que o secretário de Turismo, Ivan Burity, atuava como operador de esquemas de propinas no Estado. Suas confissões são investigadas no âmbito da Operação Calvário, que começou mirando contratos na Saúde e se alastrou para outras áreas do governo.

Político de longa data, o secretário de Turismo da Paraíba já foi deputado federal nos anos 90 e ficou marcado por ser o único que votou contra a abertura de processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, além de tê-lo acompanhado na saída do Palácio do Planalto após a renúncia, em 1992. Ele pediu demissão assim que foi preso.

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O ex-assessor ficou preso em todo o mês de fevereiro na Operação Calvário II, deflagrada pelo Ministério Público Estadual contra fraudes em repasses de R$ 1,1 bilhão somente na Saúde. Os termos foram firmados com a Cruz Vermelha Brasileira, filial do Rio Grande do Sul e o Instituto de Psicilogia Clínica, Educacional e Profissional.

Após a prisão, ele passou a colaborar. A primeira atingida por suas declarações foi a ex-secretária Livânia Farias, que foi presa e também acabou firmando acordo com a Promotoria. No dia 9, a Calvário chegou à quinta fase e levou à cadeia Burity.

Segundo Leandro Nunes Azevedo, Buritytinha diversos contatos com fornecedores, a exemplo de fardamentos, livros etc, principalmente relacionados à Secretaria de Educação, relacionando como exemplo a empresa Brink Mobil. Leandro diz  ainda ‘que com a aproximação de Livânia e Ivan Burity o mesmo começou a trazer algumas empresas para fornecer para a Secretaria de Educação’. Narra ainda que Ivan ‘fazia a intermediação com a empresa, a respeito do valor a ser acertado’. “Ivanlevava as informações para Livânia, sobre empresas que dariam “retorno””.

Segundo o delator,  Burity ‘fazia a intermediação além de acompanhar o fornecimento do material e o recebimento do dinheiro pela empresa’.

“Leandro diz que Livânia sempre acompanhava e às vezes pedia para que Leandro entrasse em contato com Ivan para que o mesmo fosse falar com ela e tratar sobre os supracitados assuntos. Segundo Leandro, Livânia inclusive informava a Ivan quando as empresas recebiam os pagamentos e cobrava do mesmo uma posição”, afirma o MP, ao analisar a delação de Leandro.

De acordo com a Promotoria, Leandro ‘menciona que em conversa com Livânia a mesma o informou que os fornecedores de livros pagavam comissão de 30% e que não sabe informar os valores dos acertos que Ivan fez com Livânia, pois não participava das reuniões que tratavam de tal assunto, participando apenas das reuniões referentes as viagens para o recebimento dos recursos (dinheiro)’.

“Leandro afirma que os pagamentos efetuados em outros Estados referiam-se a contemplação de dívidas de campanha. Os pagamentos constavam em levar os fornecedores/colaboradores onde estava o dinheiro. Em algumas situações Ivan Burity trazia em avião particular os recursos”, diz o Ministério Público.

A Promotoria ainda afirma ter encontrado registros de que Burity esteve hospedado nos locais onde o delator diz ter feito acertos e repasses de propinas. Na decisão que o mandou para a cadeia da Calvário, o desembargador Ricardo Vital de Almeida, relator da Operação, registrou que a Promotoria ainda encontrou um enriquecimento de R$ 5 milhões de Burity e seu filho, sem especificar em quanto tempo isso ocorreu.

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