Deputado preso volta ao trabalho na Câmara

Deputado preso volta ao trabalho na Câmara

Em sua primeira entrevista após o perídio no Centro de Detenção Provisória no Complexo da Papuda, João Rodrigues (PSB-SC) disse que não pretende renunciar e que foi “injustiçado”

Neila Almeida, especial para o Estado

11 Junho 2018 | 22h35

João Rodrigues. Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

O deputado federal João Rodrigues (PSB- SC) reassumiu o mandato na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira(11) após ficar mais de 120 dias preso. Em sua primeira entrevista após o perídio no Centro de Detenção Provisória no Complexo da Papuda, ele disse que não pretende renunciar e que foi “injustiçado”.

“Meu nome não consta no processo da Polícia Federal. As assinaturas não são minhas. O processo não gerou dano ao erário. Não faz sentido eu estar preso”, disse.

O parlamentar foi condenado pelo Tribubal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) a cinco anos e três meses de reclusão em regime semiaberto por fraude e dispensa irregular de licitação. O crime é referente ao período em que exercia o cargo de prefeito interino de Pinhalzinho, em Santa Catarina. Rodrigues disse também que já solicitou que seu nome seja retirado de todas às comissões, inclusive a comissão que prepara o novo Código de Processo Penal (CPP). “No momento não tenho legitimidade para nenhuma comissão, mas quando for absolvido voltarei, principalmente, a CPP.”

Rodrigues afirma que sua experiência na cadeia vai ajudar a formular o novo código. “Lá de dentro, pude perceber que existe uma indústria de bandidos. O sistema não está recuperando ninguém. Temos que trabalhar isso” disse.

A decisão que autorizou a retomada do trabalho do deputado saiu na última quinta-feira (7). O ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, decidiu que Rodrigues estava cumprindo uma pena mais agravosa do que a que foi fixada em sua sentença, que era de regime semiaberto, e determinou que fosse posta uma pena compatível.

Com a decisão, o deputado está autorizado a trabalhar na Câmara durante o dia, retornando à noite para a Papuda. Rodrigues informou que pretende contratar um motorista particular para buscá-lo na Papuda por volta das 7h da manhã e leva-lo de volta às 20h. O parlamentar afirmou ainda que seu advogado vai alinhar com os ministros do STF sobre os dias de sessão na câmara, para que ele possa ficar até o término da sessão. Questionado sobre tentar reeleição, Rodrigues garantiu que primeiro pretende provar sua inocência.

Durante o período em regime fechado, o parlamentar afirmou que chegou a dividir cela com o ex-ministro José Dirceu, o ex-senador Luiz Estevão e com os deputados Paulo Maluf (PP-SP), que atualmente está em prisão domiciliar e Celso Jacob (MDB-RJ), que na última quinta(7) teve o direito de cumprir pena em regime aberto, aceito pelo Juiz do DF Fernando Messere.