Deputado petista pede em inquérito apreensão do celular de Moro

Deputado petista pede em inquérito apreensão do celular de Moro

Caberá ao relator do inquérito, ministro Celso de Mello, analisar o pedido do parlamentar

Luiz Vassallo

28 de abril de 2020 | 19h59

Reginaldo Lopes. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) pediu, no âmbito de inquérito no Supremo Tribunal Federal sobre as acusações de Moro contra Bolsonaro, que o celular do ex-ministro seja apreendido e que seja ‘interceptado fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática’ do ex-chefe da pasta. Caberá ao relator do inquérito, ministro Celso de Mello, analisar o pedido do parlamentar.

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Segundo o deputado, ‘merecem ser resguardados antecipadamente todos os elementos de provas que possam ser relevantes aos fatos investigados’. Ele ainda diz que a medida serve para ‘comprovar as imputações constantes no presente inquérito’.

Este não é o único pedido de um deputado no âmbito do inquérito. O senador Randolfe Rodrigues (Rede) pediu que seja apreendido o celular da deputada Carla Zambelli (PSL). O decano da Corte resolveu encaminhar para análise da Procuradoria-Geral da República.

Ao autorizar abertura de inquérito, Celso de Mello também determinou as diligências requeridas pelo procurador-geral da República.  O decano da Corte deu 60 dias para que Moro seja ouvido pela Polícia Federal. Aras também pediu para que sejam apresentadas provas de corroboração da denúncia feita pelo ex-chefe da Justiça.

Interferência. Ao anunciar a saída do cargo na última sexta-feira, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência. “O presidente me quer fora do cargo”, disse Moro, ao deixar claro que a saída foi motivada por decisão de Bolsonaro.

O objetivo é apurar se foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra, segundo o pedido feito pela PGR. Tanto Moro quanto Bolsonaro aparecem como investigados. 

Moro falou com a imprensa após Bolsonaro formalizar o desligamento de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal – o ministro frisou que não assinou a exoneração do colega. Segundo Moro, embora o documento de exoneração conste que Valeixo saiu do cargo “a pedido”, o diretor-geral não queria deixar o cargo. O próprio Moro, que aparece assinando a exoneração, afirmou que foi pego de surpresa pelo ato e negou que o tenha assinado. “Fiquei sabendo pelo Diário Oficial, não assinei esse decreto”, disse o ministro, que considerou o ato “ofensivo”. Na visão dele, a demissão de Valeixo de forma “precipitada” foi uma sinalização de que Bolsonaro queria a sua saída do governo.

“O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas. Imagina se na Lava Jato, um ministro ou então a presidente Dilma ou o ex-presidente (Lula) ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações”, disse Moro, ao comentar as pressões de Bolsonaro para a troca no comando da PF.

 

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