Deputado pede quebra do sigilo telefônico e de e-mails de Janot e ministro da Justiça

Deputado pede quebra do sigilo telefônico e de e-mails de Janot e ministro da Justiça

Paulinho da Força (SD/SP) representou à CPI da Petrobrás alegando 'suspeitas' de que procurador-geral conduz investigações 'conforme a vontade do Palácio do Planalto'

Redação

12 de março de 2015 | 18h23

Paulinho da Força. Foto: Nilton Fukuda/Estadão.

Paulinho da Força. Foto: Nilton Fukuda/Estadão.

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Querem investigar o investigador da Lava Jato. Em requerimento à CPI da Petrobrás, o deputado Paulinho da Força (SD/SP ) pediu a quebra do sigilo dos e-mails e dados telefônicos de Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, que conduz as investigações sobre 22 deputados, onze senadores e dois governadores supostamente beneficiados pelo esquema de corrupção na Petrobrás.

Juristas que defendem a atuação do Ministério Público Federal no combate à corrupção alertam que nos últimos anos tem sido recorrente a estratégia de parlamentares em tentar intimidar o chefe da instituição. O primeiro procurador-geral da República convocado para depor na Câmara foi Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia contra 40 envolvidos no Mensalão. Depois, foi a vez de Roberto Gurgel, quando deflagrada a Operação Vegas. Agora, o alvo é Janot.

O parlamentar também pede a mesma medida com relação ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). No requerimento à CPI da Petrobrás, em que pede apoio de seus pares, Paulinho da Força sustenta que “a quebra do sigilo telefônico das autoridades (Janot e Cardozo) se faz necessária em razão das inúmeras notícias veiculadas na imprensa nacional sobre vários encontros realizados entre o ministro da Justiça e o procurador-geral da República sem qualquer registro nas respectivas agendas de trabalho”.

Janot (à esquerda) e Cardozo. Fotos: Dida Sampaio e Felipe Rau/Estadão

Janot (à esquerda) e Cardozo. Fotos: Dida Sampaio e Felipe Rau/Estadão

Segundo o deputado, o noticiário informa que nessas reuniões, Janot e Cardozo teriam tratado “informalmente de decisões relativas aos procedimentos investigatórios da Operação Lava Jato”. Na avaliação do deputado do Solidariedade, “a ocorrência de tais reuniões informais para tratar de interesses do Governo em investigação judicial permeada de denúncias contra membros do primeiro escalão do Governo e contra importantes dirigentes do PT representa ilícito de graves prejuízos às instituições e investigações”.

Paulinho da Força afirma que o episódio “merece a devida apuração a fim de compreender a possibilidade da manipulação do curso das investigações acerca dos ilícitos praticados contra a Petrobrás”. O deputado diz que “nada mais sensato do que apurar esses fatos nessa CPI por meio da quebra do sigilo telefônico (dados) dos envolvidos nas suspeitas de condução das investigações conforme a vontade do Palácio do Planalto”.

VEJA O REQUERIMENTO DO DEPUTADO DO SOLIDARIEDADE EM QUE PEDE QUEBRA DO SIGILO DE JANOT E DO MINISTRO DA JUSTIÇA

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