Deputado pede à Justiça que mande Bolsonaro exibir provas de fraudes nas eleições

Deputado pede à Justiça que mande Bolsonaro exibir provas de fraudes nas eleições

Celio Studart (PV-CE) apresentou ação civil pública por declarações em que Bolsonaro alega ter 'provas' que teria sido eleito em primeiro turno; Planalto até hoje não divulgou documentos ou informações para sustentar declarações do presidente

Paulo Roberto Netto

02 de maio de 2020 | 11h25

O deputado federal Celio Studart (PV-CE) entrou com ação civil pública para obrigar o presidente Jair Bolsonaro a apresentar provas de suas declarações sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas que o elegeram para a Presidência, em 2018. O caso foi protocolado na Justiça Federal do Ceará.

Bolsonaro afirmou em março, durante viagem aos Estados Unidos, ter ‘provas’ em mãos que ele teria sido eleito no primeiro turno. “E nós temos não apenas palavra, nós temos comprovado, brevemente eu quero mostrar”, disse. Até hoje, o Planalto não apresentou nenhuma prova para sustentar as alegações, criticadas pela Justiça Eleitoral.

“A incompleta acusação de Jair Messias Bolsonaro, que reprisa supostos fatos sem apresentar provas, põe em risco a democracia brasileira. Fragiliza o meio pelo qual o povo escolhe seus representantes”, afirma Studart, à Justiça. “Algo que, paradoxalmente, descredibilizaria também a representação outorgada pelo povo a seus filhos e demais correligionários que detêm mandato popular”.

De acordo com o parlamentar, Bolsonaro é um ‘detrator contumaz da transparência’.

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na saída do Palácio do Alvorada. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Nesta semana, o presidente reafirmou posição de supostas fraudes nas eleições, afirmando a eleitores que teria sido eleito em primeiro turno, mas recusou-se a apresentar provas para sustentar as declarações. Bolsonaro se limitou a dizer que elas seriam apresentar ‘juntamente com um projeto de lei’ sobre o tema.

“Se o presidente de fato possui tais provas, estas seriam capazes que colocar sob questionamento todas as eleições realizadas por meio das urnas eletrônicas. No entanto, se não possui elementos para tanto e o faz com fito difamatório ou calunioso, está atentando contra a democracia”, afirmou Studart.

COM A PALAVRA, A ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO
A manifestação da Advocacia-Geral da União sobre o referido caso se dará em juízo.

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