Deputado denunciado por manter funcionária fantasma contratou três pessoas da mesma família para trabalhar em gabinete na Alesp

Deputado denunciado por manter funcionária fantasma contratou três pessoas da mesma família para trabalhar em gabinete na Alesp

Acusado pelo Ministério Público de São Paulo por peculato, Rodrigo Gambale nega irregularidades e contesta denúncia 'em ano de eleições'

Rayssa Motta e Fausto Macedo

09 de maio de 2022 | 17h35

O deputado estadual paulista Rodrigo Gambale nega irregularidades em contratações de funcionários parlamentares. Foto: Reprodução/Instagram

A investigação que levou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a denunciar o deputado paulista Rodrigo Gambale (Podemos), acusado de manter uma funcionária fantasma em seu gabinete da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), revelou que ele contratou três pessoas da mesma família para cargos comissionados.

Dados disponíveis no portal da Transparência da Alesp mostram que Rosemeire Crossi foi assistente parlamentar de nível VII entre março de 2019 e dezembro de 2020, com salário bruto de R$ 14 mil. Documento obtido pelo MP aponta que ela teve uma relação de união estável com Marcos Tasso Martinelli, que é assessor parlamentar no mesmo gabinete desde fevereiro de 2020, com remuneração de R$ 9,2 mil.

Além do casal, a cunhada de Martinelli, Julia Aparecida Sanches Martinelli, também consta na lista de funcionários parlamentares. Contratada em março de 2019, ela passou primeiro pela função de assistente parlamentar VII e, em abril daquele ano, foi promovida a assessora especial, com salário de R$ 24,3 mil.

Desde que assumiu o cargo na Assembleia Legislativa Gambale empregou 54 pessoas. O gabinete do deputado opera hoje com 21 servidores, incluindo o auxiliar administrativo Ewerton de Lissa Souza, que é filho do presidente da Câmara de Vereadores de Ferraz de Vasconcelos, no interior de São Paulo, Paulo Batista de Souza Inha (Podemos).

Gambale está no primeiro mandato e foi denunciado pela contratação de uma funcionária que, segundo o MP, nunca trabalhou de fato no gabinete do deputado. Os salários pagos com dinheiro público chegam a R$ 120 mil. Ele nega irregularidades e afirma que, enquanto foi lotada no gabinete, a servidora “cumpriu com suas funções, sendo assim, absurda a acusação”.

“Infelizmente, em ano de eleições, muitas denúncias surgem de forma anônima ou não, com o intuito de manchar a imagem de quem trabalha”, diz a nota enviada ao blog quando ele foi denunciado. “O gabinete do parlamentar tem a certeza de que, muito em breve, tudo será reparado e a inocência dos envolvidos na ilação comprovada.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO RODRIGO GAMBALE

“Marcos e Rose não são casados e não possuem relacionamento há mais de 5 anos, desde 26 de agosto de 2017. Rose já não é mais assessora há 1 ano e 6 meses, desde seu desligamento em dezembro de 2020. Marcos continua atuando diariamente em cargo político e de estratégia no gabinete estendido. Julia é cunhada de Marcos, tem formação de bacharel em direito e muito atuante nas demandas políticas do gabinete.”

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