Deputado de MT queria propina de R$ 15 mi, mas levou R$ 200 mil, diz Silval

Deputado de MT queria propina de R$ 15 mi, mas levou R$ 200 mil, diz Silval

Ex-governador do Estado, um dos delatores da Ararath, relatou em anexo de colaboração ao Ministério Público Federal que valores ilícitos foram pedidos para barrar CPI das obras da Copa 14; negociação ocorreu dentro de um carro no pátio do mercado Big Lar no bairro 3 Américas

Julia Affonso, Fábio Serapião, Breno Pires e Rafael Moraes Moura

27 Agosto 2017 | 08h15


Em anexo de sua delação premiada, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) revelou pedido de propina de R$ 15 milhões, em 2015, para barrar os avanços da CPI das obras da Copa do Mundo de 2014, na Assembleia Legislativa do Estado. O dinheiro ilícito serviria para não indiciá-lo.

Nesta quinta-feira, 24, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu inquérito para investigar uma ‘organização criminosa’ que se instalou na alta cúpula do governo de Mato Grosso. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso, o papel de ‘líder’ da organização.

Silval revela que obras da Copa foram suspensas por atraso de superpropina a conselheiros do TCE

Janot aponta Blairo, da Agricultura, como líder de organização criminosa

Blairo pagou R$ 4 mi para conselheiro ficar no Tribunal de Contas, diz delator

Silval relatou, neste anexo, que a CPI era presidida pelo deputado Oscar Bezerra (PSB) e tinha como relator o deputado Mauro Savi (PSB). Fazia parte da comissão o também deputado Wagner Ramos (PSD).

“No ano de 2015, o colaborador foi procurado algumas vezes por Edevair Valim, ex-prefeito de Nobres, sendo que ele dizia representar o presidente da Comissão da CPI do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Edevair Valim dizia para o colaborador que o deputado Oscar Bezerra queria receber R$ 15 milhões para que a CPI não prosperasse, sendo que Edevair dizia que Oscar Bezerra falava em nome dos demais deputados integrantes da CPI”, relatou Silval.

+ OUÇA: Ex-governador buscou ajuda de Temer para tirar mulher da prisão, diz Promotoria

Na cadeia, mulher de Silval pede garrafa térmica, lençol claro e ‘negocinho’ de amarrar cabelo

O ex-governador de Mato Grosso contou que houve um encontro no escritório de seu filho. Segundo Silval, o ex-prefeito teria ido atrás dele ‘por cerca de mais de 10 vezes para tratar do pagamento dessa propina’.

“Com o avanço das conversas com Edevair o valor diminuiu para R$ 10 milhões, tendo Edevair dito que traria o deputado Oscar Bezerra para negociar diretamente com o colaborador, sendo que tal reunião foi marcada no pátio do mercado Big Lar, situado no bairro 03 Américas. Nessa reunião compareceu o deputado Oscar Bezerra, sendo que Edevair foi até a casa do colaborador, tendo ambos se deslocado até o ponto de encontro no pátio do mercado Big Lar, sendo que alguns instantes depois Oscar Bezerra chegou no local sozinho, tendo Edevair saído de seu carro, oportunidade em que Oscar Bezerra entrou no carro de Edevair”, narrou.

Silval Barbosa relatou que o deputado Oscar lhe disse que ‘poderia fazer um acordo’. Segundo o delator, Oscar Bezerra afirmou que Silval ‘havia ficado com muito dinheiro e que tinha que dividir, tendo pedido R$ 10 milhões para isentar o colaborador no relatório final’.

O ex-governador declarou não ter pago a propina. “Nessa conversa, Oscar Bezerra insistiu muito para que o colaborador efetuasse tal pagamento, tendo um gesto de que realmente o colaborador iria pagar, tendo Oscar Bezerra entregue o numero de conta bancária e o nome de uma empresa, que era uma factoring, tendo o colaborador efetuado o pagamento no valor de R$ 200 mil nessa conta. Com a prisão do colaborador, o seu filho Rodrigo foi procurado pelo deputado Wagner Ramos, que é membro da comissão da CPI, pedindo o valor de R$ 7 milhões para “resolver” a questão da CPI. Tais valores acabaram não sendo pagos e a pressão parou.”

Silval informou aos investigadores ter o comprovante do pagamento. A transferência, segundo ele, ocorreu ‘pouco tempo antes’ de sua prisão.

Mais conteúdo sobre:

Operação ArarathSilval Barbosa