Depressão cresce e demanda atenção quanto aos seus sintomas

Marena Petra*

16 de julho de 2019 | 07h00

Recentemente, o desabafo do humorista Whindersson Nunes deu foco a um problema que hoje atinge cerca de 5% da população mundial: a depressão. Essa doença, que já afeta 322 milhões de pessoas no mundo, deve crescer mais nos próximos anos e já está se tornando a segunda maior preocupação para a saúde pública.

No Brasil, em torno de 11,5 milhões de pessoas, convivem com a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde. Esse dado faz do país, a nação com maior número de casos na América Latina e o segundo em prevalência nas Américas.

Uma pesquisa realizada entre 2006 e 2015 pela Universidade Federal de São Paulo revelou o aumento de 24% da taxa de suicídios dentre jovens entre 10 e 19 anos, residentes nas seis maiores cidades brasileiras (Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro), sendo a capital mineira o maior número de casos.

Diante desses dados assustadores, muitas pessoas se perguntam como identificar e prevenir a doença. Sendo assim, chamo a atenção para as principais características da depressão e os possíveis tratamentos para os casos.

A depressão pode ser definida como uma doença psiquiátrica crônica e produz uma alteração do humor.

O problema é caracterizado por uma tristeza profunda e sem fim, associada à perda do sentido de vida.

Diferente dos casos de entristecimento temporário, a doença configura uma situação de potencial gravidade e que influi no aparecimento ou intensificação dos sentimentos de dor, angústia, irritabilidade, medo, insegurança, ansiedade, pessimismo, desilusão, desesperança, apatia, desamparo, desânimo, culpabilidade e baixa autoestima.

Contribuindo para o surgimento de disfunções do sono, distúrbios alimentares e mudanças na disposição para a atividade sexual, a depressão é uma das grandes causas do aumento dos índices de mortalidade em decorrência de complicações clínicas ou suicídios.

Para a identificação inicial da doença é importante ficar atento à diminuição da capacidade de sentir satisfação e prazer em atividades que antes eram consideradas agradáveis, como também a dificuldade de se concentrar ou tomar decisões, a desaceleração do raciocínio, os episódios de paranoia, a fadiga excessiva, o isolamento social, o aumento do esquecimento e surgimento de dores físicas.

Os quadros da doença possuem variações quanto à intensidade e duração e podem ser classificados como leves, moderados e graves.

O problema também pode ser desencadeado por situações de ansiedade, estresse e trauma; oscilações hormonais; enfermidades sistêmicas como o hipotireoidismo; ingestão de alguns medicamentos; alcoolismo; consumo de drogas ilícitas; ou mesmo pela junção de todos esses motivos citados.

Os sintomas principais se apresentam de forma semelhante em alguns pacientes como, por exemplo, uma tristeza que não dá trégua e um humor deprimido, mas os secundários podem variar muito dependendo de cada indivíduo.

O diagnóstico é realizado de maneira clínica em consulta com um psicólogo ou psiquiatra, sendo baseado no relato dos sintomas citados e análise da trajetória de vida do paciente.

A descrição e sintomas do paciente também pode ser um sinal secundário de outras patologias, no entanto, é preciso deixar claro que os sintomas não podem ser ignorados ou negligenciados por influência de receios ou estigmas sociais. É essencial enfatizar a relevância da procura de ajuda profissional em todos os casos.

O tratamento pode ser feito por meio do acompanhamento psicológico e também psiquiátrico. Casos mais leves podem não necessitar da indicação de medicamentos, contando apenas com um tratamento baseado na recomendação da prática de atividade física e psicoterapia. No entanto, quando a disfunção está provocando prejuízos intensos nas áreas social, profissional e física, o uso de antidepressivos e ansiolíticos pode ser necessário.

Enfim, para vencer a depressão, é preciso se planejar e colocar em prática uma forte mudança nos hábitos e costumes diários, tentando investir em uma vida mais saudável e, além disso, trabalhar uma perspectiva diferente relacionada ao olhar sobre os obstáculos cotidianos.

*Marena Petra, psicóloga e psicanalista da Clínica Penchel

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