Depois de Moro, defesa de Lula agora questiona relator da Lava Jato no tribunal

Depois de Moro, defesa de Lula agora questiona relator da Lava Jato no tribunal

Advogados do ex-presidente alegam que desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF4, mantém 'amizade íntima' com juiz da primeira instância

Mateus Coutinho e Julia Affonso

18 de outubro de 2016 | 19h03

TRF4. Foto: TRF4

TRF4. Foto: TRF4

Após questionar a atuação do juiz Sérgio Moro na condução das investigações contra o ex-presidente Lula em todas as instâncias, a defesa do petista entrou nesta terça-feira, 18, com um recurso questionando o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator dos recursos da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

A exceção de suspeição – que questiona a parcialidade do magistrado para julgar um caso -, foi ajuizada perante o próprio Gebran Neto sob argumento de que o desembargador se recusou a esclarecer se mantém relação de ‘amizade íntima’ com Moro, que conduz as investigações em primeira instância em Curitiba.

A defesa do ex-presidente aponta que o desembargador seria próximo do juiz da Lava Jato, com quem manteria até uma suposta relação de ‘apadrinhamento’.

Os defensores de Lula alegam ainda que, pela lei, a relação de ‘amizade íntima’ com uma das partes nos processos (no caso do recurso que questiona a atuação de Moro, o juiz é parte no TRF) é causa para reconhecimento de suspeição.

Não é a primeira vez que os advogados do petista questionam o desembargador. No início de julho, os advogados de Lula anexaram petição na qual pediam informações acerca de uma possível relação pessoal próxima entre os julgadores de primeiro e segundo graus.

Gebran não conheceu o pedido, entendendo que o meio processual usado não era o adequado. A defesa ingressou com agravo regimental requerendo a reconsideração da decisão, que foi negado pela 8ª Turma do TRF4 em 31 de agosto.

Contra essa decisão, os advogados de Lula entraram com recursos especial e extraordinário dirigidos, respectivamente, ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, ‘objetivando seja esclarecida a eventual amizade íntima com base no princípio constitucional da transparência’, diz a nota da defesa do petista divulgada na tarde desta terça-feira, 18.

Independente do julgamento dos recursos nas instâncias superiores, Gebran decidiu julgar as exceções de suspeição contra o juiz Sérgio Moro na próxima quarta-feira, 19, ‘mantendo a recusa de informar a existência de relação de amizade íntima com a parte’, segue a defesa de Lula.