Pelado admite que viu barco de Bruno no dia do desaparecimento; testemunha relata ameaças ao indigenista

Pelado admite que viu barco de Bruno no dia do desaparecimento; testemunha relata ameaças ao indigenista

Principal suspeito pelo sumiço do jornalista Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, negou ter saído de casa no dia em que os dois desapareceram

Rayssa Motta

14 de junho de 2022 | 20h07

Bruno Araújo e Dom Philips estão desaparecidos desde 5 de junho. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Suspeito de envolvimento no desaparecimento do jornalista inglês Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira, na região do Vale do Javari, no Amazonas, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, reconheceu ter visto o barco em que os dois viajavam no dia em que eles sumiram.

Em depoimento à Polícia Federal (PF), Pelado disse que Dom e Bruno passaram com a embarcação em frente à comunidade São Gabriel, onde mora, mas negou ter saído de casa naquele dia 5 de junho. Aos investigadores, o pescador afirmou que só saiu no dia seguinte para “caçar porcos”.

Pelado também disse que conhecia Bruno “apenas de vista” e que nunca conversou com ele. Em outro trecho do depoimento, negou ter arma de fogo, embora tenha sido preso em flagrante com munições de uso restrito. A Justiça do Amazonas decidiu manter o pescador preso por pelo menos 30 dias enquanto as investigações avançam.

As declarações contradizem depoimentos de testemunhas, que colocam o pescador no centro das suspeitas de participação no desaparecimento de Dom e Bruno.

Uma das testemunhas ouvidas pela PF, que teve a identidade preservada, disse que o indigenista vinha sofrendo ameaças de pessoas que “não aceitavam as atividades de combate às ilegalidades recorrentes contra indígenas da região”. A testemunha afirmou ter ouvido queixas do próprio Bruno.

“Entre as ameaças recebidas por Bruno, algumas delas foram proferidas por ‘Pelado’, indivíduo tempos atrás teria efetuado disparos de arma de fogo contra a base local da Funai e, recentemente, ameaçado os ‘vigilantes’ da região ostentando uma arma de fogo do tipo espingarda”, diz um trecho do relatório enviado pela Polícia Federal ao STF para atualizar o andamento das buscas.

O advogado Eliesio da Silva Vargas Marubo, procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), também foi ouvido pela Polícia Federal. Ele relatou que Bruno teria uma reunião com o líder da comunidade São Rafael, conhecido como Churrasco, na manhã do dia do desaparecimento, mas que a reunião não aconteceu porque o líder comunitário não apareceu. Outro ponto destacado pela Polícia Federal é uma mensagem enviada por Bruno ao advogado, alertando que corria risco de vida, porque a reunião poderia “dar algum problema”.

Moradores de São Rafael também disseram que a embarcação de Pelado passou em alta velocidade atrás de Bruno e Dom no dia da reunião. A PF estima que o repórter e o indigenista tenham desaparecido entre 7 e 9 horas da manhã do último dia 5.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.