Depoimento de Marcelo Odebrecht é adiado

Depoimento de Marcelo Odebrecht é adiado

O adiamento ocorreu porque a defensora do empreiteiro, Dora Cavalcanti, também será ouvida no inquérito sobre bilhete em que ele dizia 'destruir e-mail sondas'

Redação

16 de julho de 2015 | 12h44

Marcelo Odebrecht. Foto: Enrique Castro/Reuters

Marcelo Odebrecht. Foto: Enrique Castro/Reuters

Atualizada às 22h57

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Polícia Federal adiou o depoimento do presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, que estava marcado para a manhã desta quinta-feira 16. Preso desde o dia 19 de junho, alvo da 14ª fase da Operação Lava Jato, Odebrecht seria ouvido sobre o manuscrito entregue por ele no dia 22 para seus advogados.

Foto: Reprodução

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O bilhete foi fotografado por um agente da Custódia da PF e considerado suspeito pela polícia. Nele, Odebrecht faz menção a “destruir e-mail sondas”.

O adiamento ocorreu porque a defensora de Odebrecht, que compareceu à sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, Dora Cavalcanti, também será ouvida no inquérito e não poderia acompanhar o investigado.

“O depoimento acabou não se realizando. Fui informada de que eu também serei ouvida, e não poderei acompanhar o depoimento de meu próprio cliente”, disse a criminalista Dora Cavalcanti. “A doutora Dora era a destinatária e manuseou o original do bilhete”, afirmou o delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima.

A nova oitiva deve ocorrer nesta sexta-feira, 17, quando Odebrecht também deve ser ouvido no inquérito principal.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

Em relação ao depoimento agendado para esta quinta-feira, 16/7, Dora Cavalcanti, advogada de defesa de Marcelo Odebrecht, esclarece o seguinte:

1. No horário agendado, a advogada Dora Cavalcanti compareceu para acompanhar Marcelo no seu depoimento sobre o inquérito específico que foi instaurado sobre o tema do bilhete enviado por Marcelo a seus advogados.

2. Lamentavelmente, como mais uma clara demonstração de cerceamento do direito de defesa, a advogada Dora Cavalcanti foi surpreendida pela informação da Presidente do Inquérito de que não poderia acompanhar o seu cliente. A alegação da Delegada de que Dora foi uma das subscritoras da petição dirigida à OAB Seccional do Paraná, através da qual foi entregue o original do bilhete para proteção do sigilo entre cliente e advogado.

3. Não houve, portanto, ao contrário do que se afirmou na imprensa, qualquer recusa por parte da defesa de Marcelo para que não houvesse o depoimento. Ao contrário, a advogada insistiu para que o depoimento fosse realizado e seu cliente pudesse esclarecer este tema em definitivo. A sugestão da Delegada, que não foi aceita pela defesa, era para que Marcelo nomeasse ali na hora um outro advogado que estava presente mas não constava na procuração, o que representaria uma afronta ao direito absoluto de um investigado ser acompanhado por seus advogados devidamente constituídos, e não conforme a conveniência dos investigadores.

4. A defesa de Marcelo Odebrecht acionará, como já o fez em outras oportunidades, a Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, bem como seu Conselho Federal, para que todas as medidas cabíveis sejam adotadas no sentido de proteger o exercício do direito de defesa e as prerrogativas de seus advogados;

5. Sobre o bilhete que é alvo do inquérito, e que foi levado ao conhecimento das autoridades pela própria defesa como claro sinal de transparência e boa fé de Marcelo e de sua defesa, importante reiterar que o entendimento da Polícia Federal sobre seu conteúdo é absolutamente equivocado. Uma simples leitura do texto completo permite concluir, facilmente, que tratam-se apenas de orientações de Marcelo a seus advogados para preparação de habeas corpus.

COM A PALAVRA, O VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO DE DEFESA DO DIREITO DE DEFESA

O criminalista Fábio Tofic Simantob, vice-presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), reagiu. “Repudiamos a tentativa de intimidação da advocacia com o nítido propósito de mutilar o direito de defesa. Esse atentado contra o direito de defesa e à advocacia vem se somar a inúmeros outros que vêm sendo cometidos ao longo da Operação Lava Jato.”

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