Denúncia contra Collor completa dez meses no gabinete de Teori

Denúncia contra Collor completa dez meses no gabinete de Teori

Em agosto do ano passado, procurador-geral da República protocolou acusação contra senador e ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema Petrobrás, mas ainda não há previsão para julgamento pela Segunda Turma do Supremo

Mateus Coutinho e Julia Affonso

19 de junho de 2016 | 04h30

Senator Fernando Collor de Mello speaks during a vote session on the impeachment of President Dilma Rousseff in Brasilia, Brazil, May 11, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino

O senador Fernando Collor de Mello. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A denúncia contra o ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL) por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás está há 10 meses no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A acusação contra o senador e ex-presidente (1990/1992) foi protocolada no dia 21 de agosto de 2015, está sob sigilo na Corte e ainda não tem previsão de liberação para ser julgada pela Segunda Turma do Supremo, responsável por analisar as denúncias da Lava Jato.

Diferente da denúncia já aceita contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que envolve apenas dois réus, a acusação contra Collor cita ainda outros oito acusados que apresentaram suas defesas e manifestações para serem analisadas por Teori. Metódico, o relator da Lava Jato tem se debruçado sobre os desdobramentos da maior operação de combate à corrupção do País que atinge dezenas de políticos com foro privilegiado. Recentemente, ele liberou a segunda denúncia contra Cunha, envolvendo as contas secretas do peemedebista no exterior, para julgamento da Segunda Turma no próximo dia 22.

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As investigações indicam que Collor teria recebido R$ 26 milhões em propina, entre os anos de 2010 e 2014, através de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás onde o ex-presidente mantinha sua influência e, como revelou a Lava Jato, também foi palco de um megaesquema de corrupção nos moldes do que ocorreu na estatal petrolífera.

A Procuradoria-Geral da República atribui aos outros oito acusados corrupção e lavagem de dinheiro. Rodrigo Janot, o procurador-geral, aponta que o parlamentar teria utilizado um ‘sofisticado esquema’ de lavagem através da compra de pelo menos cinco carros de luxo, com verba supostamente oriunda de propina. Os carros chegaram a ser apreendidos pela Polícia Federal, mas devolvidos ao senador em outubro. O Supremo admitiu Collor como fiel depositário de quatro dos cinco carros – um Lamborghini, um Bentley, um Range Rover e uma Ferrari.

Collor é investigado em cinco inquéritos na Lava Jato, incluindo o processo pelo qual ele e a mulher foram denunciados. Todos eles tramitam atualmente em sigilo no Supremo. O senador tem rechaçado categoricamente sua participação no esquema de corrupção e acusado Rodrigo Janot de perseguição. A reportagem entrou em contato com o gabinete do parlamentar na sexta à noite, mas não havia ninguém.

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