‘Demonizou-se o poder para apoderar-se dele’, diz Gilmar sobre Moro e Deltan na política

‘Demonizou-se o poder para apoderar-se dele’, diz Gilmar sobre Moro e Deltan na política

Em sua conta no Twitter, ministro do Supremo Tribunal Federal bate pesado na migração para o universo político do ex-juiz federal Sérgio Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol, artífices da mítica Operação Lava Jato

Maria Isabel Miqueletto

08 de novembro de 2021 | 11h03

Fotos: Fellipe Sampaio/STF; Gabriela Biló/Estadão e Théo Marques/Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes usou sua conta no Twitter para criticar a migração para a política do ex-juiz federal Sérgio Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol, artífices da mítica Operação Lava Jato. “A seletividade, os métodos de investigações e vazamentos: tudo convergia para um propósito claro – e político, como hoje se revela. Demonizou-se o poder para apoderar-se dele”, escreveu. Sem citá-los nominalmente, referia-se ao anúncio da saída de Deltan do Ministério Público e a possibilidade de ele perseguir um futuro nas urnas, seguindo os passos de Moro, que vai se filiar ao Podemos. A manifestação de Gilmar ocorreu na sexta-feira, 5, e se soma a outros pronunciamentos nas redes sociais, como o do senador Renan Calheiros e do deputado federal José Guimarães. 

Nesta quarta-feira, 10, o Podemos prepara grande evento em Brasília para anunciar oficialmente a filiação de Moro. Esse é o primeiro passo à possível candidatura do ex-juiz na corrida pela sucessão de Jair Bolsonaro.

Em novembro de 2016, o então juiz Sérgio Moro, no auge da Lava Jato, afirmou em entrevista ao Estadão que ‘jamais entraria para a política’. “Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política”, disse, à época. Foi a primeira entrevista de Moro. Agora, decorridos cinco anos, ele se filia a um partido político, contrariando suas próprias declarações.

Leia a íntegra da entrevista concedida por Moro em 2016.

Capa do Estadão do dia 6 de novembro de 2016

Deltan anunciou, na última quinta-feira, 4, seu pedido de exoneração do Ministério Público, como noticiou com exclusividade a colunista do Estadão Eliane Cantanhêde, depois de uma carreira de 18 anos. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-coordenador da força-tarefa diz que poderá ‘avaliar e refletir’ melhor sobre os planos após sair definitivamente do cargo, sem confirmar suas pretensões políticas.

O Podemos começou a circular no início de novembro os convites para a filiação de Sérgio Moro à sigla, em ato que será realizado na manhã desta quarta-feira, 10, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O ex-ministro da Justiça é um dos nomes da chamada ‘terceira via’ na disputa presidencial de 2022. O slogan da campanha de filiação de Moro será “Juntos, Podemos construir um Brasil justo para todos”.

“Alerto há alguns anos para a politização da persecução penal. A seletividade, os métodos de investigações e vazamentos: tudo convergia para um propósito claro – e político, como hoje se revela. Demonizou-se o poder para apoderar-se dele. A receita estava pronta”, disse Gilmar, no Twitter. 

O senador Renan Calheiros se manifestou em sua conta no Twitter pontuando que Deltan ‘não fez outra coisa na Lava Jato, só política’. “Por isso foi denunciado e punido pelo CNMP, por isso foi apanhado em flagrante na Vaza Jato e na Spoofing, por isso eu o processei, ganhei a causa e o condenei duas vezes”, escreveu.

O deputado federal José Guimarães avaliou ‘nunca ter sido secreta’ a intenção dos ex-membros do Judiciário de entrar no universo político. “Deltan Dallagnol larga o MP para ingressar na política. Nunca foi segredo que ele e Moro sempre atuaram como agentes políticos para perseguir Lula de forma truculenta na Lava Jato”, afirmou, em sua conta no Twitter.

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