Democracia participativa e a renovação da esperança

Democracia participativa e a renovação da esperança

Fernando Valente Pimentel*

23 de janeiro de 2019 | 08h00

Fernando Valente Pimentel. FOTO: DIVULGAÇÃO/ABIT

Pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), representante de um parque produtivo constituído por 30 mil empresas e gerador de seis milhões de empregos diretos e indiretos, revela que 63,11% dos empresários do setor estão otimistas quanto ao governo Bolsonaro e 9,84%, muito otimistas. Tal sentimento ganha ênfase em dois relevantes indicadores: 65,74% pretendem ampliar os investimentos e 60,91% informaram que contratarão recursos humanos em 2019.

Apesar das expectativas positivas, manifestou-se pertinente preocupação com relação a alguns fatores fundamentais para a retomada de índices mais robustos de crescimento econômico, nos quais o País vem patinando há muito tempo. Dentre os desafios apontados, destaco a premência das reformas política, previdenciária e tributária e o reequilíbrio fiscal do Estado. Outro diagnóstico lúcido do empresariado têxtil e de confecção refere-se à necessidade de interlocução do Poder Executivo com a iniciativa privada. De fato, ouvir quem produz e trabalha é imprescindível, assim como a capacidade de articulação e entendimento com o Congresso Nacional e toda a sociedade.

O diálogo com todos os segmentos é essencial para o êxito das reformas estruturantes e medidas pontuais prioritárias indicadas na pesquisa, como câmbio menos volátil e mais competitivo e taxas de juros adequadas ao retorno dos projetos industriais, mais segurança jurídica, menos burocracia, combate à corrupção e à criminalidade. Percebe-se, portanto, que o otimismo da indústria têxtil e de confecção é embasado por muita responsabilidade. O setor acredita no novo governo, mas defende um avanço também na democracia participativa e não apenas representativa, o que implica muita capacidade de articulação. Nesse sentido, é importante lembrar que esse conceito, muito presente em nossa Constituição, tem de ser cada vez mais reforçado.

A indústria têxtil e de confecção, conforme se observa na pesquisa realizada pela Abit, está dando uma resposta positiva ao novo governo, refletindo, aliás, uma expectativa que se nota em grande parte da população. Cabe aqui ponderar que, independentemente de ideologias, opções partidárias e em quem se votou, é necessário torcer e trabalhar pelo Brasil, pois o nosso presente e o futuro dependem do sucesso do País.

Os desafios são imensos. Por isso, o Poder Executivo não tem como vencê-los sem uma ampla articulação com os demais poderes constituídos, os setores produtivos e a sociedade. Tal interação será decisiva até mesmo para o estabelecimento de prioridades com alto efeito multiplicador em termos de investimentos, criação de empregos, aumento das exportações e recuperação da competitividade de nossa economia, sobretudo da indústria, um dos segmentos mais afetados pelas sucessivas crises pelas quais temos passado.

As eleições reciclaram a esperança e renovaram o otimismo. Agora, é preciso colocar todos esses fatores positivos a favor do progresso, multiplicação de postos de trabalho, inclusão socioeconômica, solução dos problemas nacionais crônicos e concretização do imenso potencial de desenvolvimento do Brasil. O aperfeiçoamento democrático, mais diálogo e interação, com ética e transparência e sem fisiologismo, são decisivos para começarmos a reescrever nossa história.

*Fernando Valente Pimentel é o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit)

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