Deltan para Temer: ‘só há uma associação criminosa que quis parar o país’

Deltan para Temer: ‘só há uma associação criminosa que quis parar o país’

Em sua conta no Twitter, procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato reagiu à afirmação do presidente que, também nas redes, disse que precisa lidar com mais 'uma denúncia inepta e sem sentido'

Renato Onofre, Julia Affonso e Ricardo Brandt

04 de outubro de 2017 | 17h07

O procurador da República Deltan Dallagnol, da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, reagiu nesta quarta-feira, 4, a uma afirmação do presidente Michel Temer. Em sua conta no Twitter, Deltan escreveu. “Só há uma associação criminosa que quis parar o país: aquela que desviou bilhões de reais dos brasileiros e deve responder por isso.”

+ Defesa diz que Janot ‘almejava ardentemente’ derrubar Temer

Temer diz que Janot é ‘antiético, imoral, indecente e ilegal’

Na terça, 3, Temer postou. “Precisamos lidar com mais uma denúncia inepta e sem sentido, proposta por uma associação criminosa que quis parar o País.”

O presidente se referia à segunda flechada do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que a ele atribuiu organização criminosa e obstrução de Justiça. A denúncia de Janot, baseada inclusive na delação premiada da JBS, está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Nesta quarta, os advogados do presidente entregaram a defesa na Câmara, peça de 89 páginas em que afirmam que Janot ‘é antiético, imoral, indecente’.

Deltan partiu para o confronto com o presidente, a ele atribuindo ligação com a organização que ‘quis parar o país’.

COM A PALAVRA, A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DA REPÚBLICA

Procuradores da República repudiam ataques descabidos aos membros do MPF por parte do Presidente da República

Brasília, 03/10/2017 – A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a público repudiar, da forma mais veemente, as declarações feitas pelo presidente da República, Michel Temer, no microblog Twitter, na manhã de hoje, 3, atacando a denúncia que sofreu e o trabalho da Procuradoria-Geral da República e do ex- PGR Rodrigo Janot.

O cidadão Michel Temer foi denunciado pelo MPF, desta vez, pelo cometimento dos crimes de organização criminosa e de obstrução de Justiça. Já enfrentava antes denúncia por corrupção passiva, que seguirá seu curso, após o cumprimento do mandato presidencial, por decisão soberana da Câmara dos Deputados. É natural, neste diapasão, que exerça o acusado sua autodefesa e se declare inocente. Normal e corriqueiro.

O Presidente da República Michel Temer, todavia, tem por uma das obrigações constitucionais maiores zelar pelo funcionamento das instituições, o que sempre fez, razão pela qual surpreende e é absolutamente incabível e irresponsável que use agora meios oficiais para ofender sem qualquer base a instituição do Ministério Público Federal. É Sua Excelência Michel Temer quem responde à acusação – lastrada em numerosas provas de fatos concretos – de pertencer à organização criminosa. Os membros do MPF – ofendidos de forma generalizada pela mensagem do Presidente, como se fosse esta instituição da República e seus componentes a quadrilha –, ao oposto, fizeram mais uma vez um trabalho técnico, impessoal e isento.

O PGR Rodrigo Janot era o promotor natural ao tempo dos fatos. Agiu, portanto, pela instituição MPF. As denúncias feita pelo então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, baseiam-se em extenso trabalho de investigação de órgãos do Estado, e citam sólido rol de provas. Serão apreciadas, cedo ou tarde, pelo Poder Judiciário, como previsto em lei, e o país acompanhará os resultados. A imensa maioria senão todas as imputações feitas por Rodrigo Janot enquanto PGR, bom lembrar, foram aceitas e prosseguem no Poder Judiciário.

Os membros do Ministério Público Federal não agem em perseguição a outrem e atentam-se apenas ao cumprimento de sua missão institucional. Assim agiu o então PGR Rodrigo Janot e equipe.

Os procuradores da República não se intimidarão. O trabalho dos membros do MPF em defesa do estado democrático de Direito prosseguirá sempre, de forma serena e firme, sem temer ninguém e sem olhar a quem. Esta, sim, é a verdadeira contribuição a ser dada ao País por todas as autoridades públicas.

José Robalinho Cavalcanti
Procurador Regional da República
Presidente da ANPR