Deltan da Lava Jato diz que ‘nenhum princípio da Constituição é absoluto’

Deltan da Lava Jato diz que ‘nenhum princípio da Constituição é absoluto’

Em Santo André, ABC paulista, onde participa do 7.º Congresso de Direito Constitucional, procurador diz que vê na aposentadoria do ministro Celso de Mello, do Supremo, chance de 'reverter' possível decisão contrária à prisão em 2.ª instância

Nicholas Buck Shores

25 de outubro de 2019 | 15h25

O procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, afirmou nesta sexta, 25, esperar que a aposentadoria compulsória do ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello em 2020 permita que possível decisão contrária da Corte à prisão após condenação em segunda instância seja ‘revertida’.

Dallagnol: ‘Nenhum princípio da Constituição é absoluto’. Foto: Felipe Rau/Estadão

Sem citar o decano do Supremo nominalmente, Dallagnol falou na ‘mudança de ministro no ano que vem’ – Celso de Mello é o único integrante da Corte que completa 75 anos em 2020, a idade da aposentadoria compulsória.

O decano da Corte ainda não deu seu voto no julgamento das liminares de três Ações Diretas de Constitucionalidade (ADCs) questionando as prisões após sentença em segundo grau, mas, no passado, se posicionou contra a execução provisória da pena.

Embora o procurador tenha falado em uma ‘decisão’, o julgamento no STF foi suspenso nesta quinta, 24, depois de quatro ministros votarem de forma favorável a essa interpretação e outros três, contra.

A ministra Rosa Weber, cujo posicionamento era aguardado como o fiel da balança para o placar final, se pronunciou em defesa de que a prisão só ocorra após sentença condenatória transitada em julgado.

“Nenhum princípio da Constituição é absoluto”, argumentou Dallagnol em um comentário introdutório da palestra que realiza no 7.º Congresso de Direito Constitucional promovido pela Faculdade de Tecnologia Jardim (Fatej) e pela Faculdade de Direito Santo André (Fadisa) no Teatro Municipal de Santo André, na região do ABC paulista.

Segundo o procurador, a prisão após condenação em segunda instância é algo ‘salutar’.

Ele alegou que a Constituição estabelece que ninguém será ‘considerado culpado’ até o trânsito em julgado, mas ‘não fala que ninguém será preso’ até que todos os recursos sejam esgotados.

“A presunção de inocência deve ser compatibilizada com outros direitos e valores constitucionais e com a eficiência da Justiça”, completou.

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