Delivery da saúde? Quem não quer comodidade?

Delivery da saúde? Quem não quer comodidade?

Evandro Reis*

21 de agosto de 2021 | 03h00

Evandro Reis. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia do Coronavirus está mostrando ao mundo a importância e o respeito à ciência e tecnologia. Avançamos em muitos aspectos, como uma resposta rápida a criação de vacinas para o combate à covid-19, mas lamentavelmente alcançamos um número elevado de contaminação e mortes. E mais uma vez, fomos criativos na busca de soluções para encurtar caminhos, como as startups na área da saúde.

A preocupação com uma vida saudável e a longevidade traz avanços contínuos no setor de saúde. Em tempo recorde este setor se aprimorou. Com o isolamento social e a busca por mais segurança surgiu uma necessidade no mercado por soluções rápidas e que encurtassem a distância entre médicos e pacientes, consumidores e serviços. As startups com seus aplicativos estão transformando o mercado e dinamizando a área da saúde, estão trazendo um novo respiro. Muitos até fizeram brincadeiras, chamando algumas empresas de “delivery da saúde”, mas quem não quer comodidade?

Não podemos descartar que governo foi assertivo em relação a Lei 13.989/2020 que instituiu o uso da telemedicina durante a crise causada pelo coronavírus, a teleconsulta proporcionou solução imediata na questão de deslocamento, no isolamento social. Certamente este estilo de atendimento causou desconforto para muitas pessoas, afinal não podemos descartar o lado humano, a relação médico e paciente. Temos que reconhecer e muito, a contribuição da telemedicina no setor de saúde, será um caminho sem volta, com a tecnologia que vem sendo desenvolvida e usada, chegaremos muito longe. Ela veio para ajudar e para ficar.

Outra ação importante do governo foi aprovação do projeto de lei complementar que instituiu o Marco legal das Startups. De acordo com os dados da Associação Brasileira de Startups, das empresas mapeadas, que foram em torno de 13 mil, as que estão voltadas para o setor de saúde e bem-estar, são de 396 startups. E isso nos leva ao terceiro maior mercado de atuação de startups do país. Se hoje temos acesso, reduzimos tempo e existe uma comodidade é graças a inovação, tecnologia e visão para um setor que até um tempo atrás não se imaginava: um médico falando com pacientes utilizando a telemedicina, tudo através de uma tela, e muito menos um tratamento e curativos de feridas.

Esta situação não nos trouxe uma luz, mas um direcionamento ao setor. As necessidades já existiam, surgiram outras, mais midiáticas e ideias precisavam ser colocadas em prática. Empreender no setor é trazer mais possibilidades e chegar mais perto do paciente/consumidor. Precisamos de soluções, já problemas temos muitos, principalmente quando o assunto é direcionado à saúde, temos que incentivar, investir, pois não existe medicina e a ciência sem toda esta tecnologia.

Demandas não faltam em um país como o Brasil e no tamanho do Brasil. Temos por um lado uma população carente de saúde e tecnologias, estas nem sempre chegam em quem realmente precisa. Temos muito trabalho a ser feito, mas já estamos encurtando.

*Evandro Reis, médico clínico e enfermeiro com pós-graduação em Estomaterapia, idealizador do app Conecta Doutor Feridas

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