Delegados vão à Justiça contra líder do MBL que acusou policiais de pegarem propina para soltar ‘malandro’

Delegados vão à Justiça contra líder do MBL que acusou policiais de pegarem propina para soltar ‘malandro’

Vídeo do ativista Renan dos Santos, publicado no canal de YouTube do Movimento Brasil Livre, foi assistido mais de 125 mil vezes

Rayssa Motta e Fausto Macedo

03 de junho de 2020 | 13h05

O coordenador e cofundador do MBL, Renan dos Santos. Foto: Reprodução/Instagram

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) entrou com uma ação na Justiça pedindo que o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan dos Santos, seja obrigado a apagar um vídeo, publicado na semana passada, em que acusa delegados de receberam propina para soltar pessoas presas pela Polícia Militar.

O Sindpesp também exige indenização de R$ 40 mil por danos morais e a publicação de uma nota de retratação em todas as contas usadas por Renan nas redes sociais.

No vídeo, o ativista, conhecido como ‘Renan do MBL’, aponta a existência de uma cultura de corrupção e impunidade nutrida pelos delegados. “Uma das coisas mais frustrantes para um policial, e vários amigos policiais, inclusive que gostam do MBL, comentam isso, é quando você faz uma operação, você leva um bandido para a Delegacia de Polícia Civil, o policial militar leva ele lá, e aí esse cara eventualmente é um ‘playboy’, o pai dele tem contato com o delegado, ou eventualmente é um bandido que tem conexões com a Polícia Civil, e aí o cara é liberado, o ‘malandro’ é liberado. Às vezes paga uma propina para um delegado de Polícia Civil, tem um contato ali com os investigadores, e nada acontece”, afirma Renan no vídeo publicado no canal do MBL no YouTube.

A entidade civil foi criada em 2014 e ganhou protagonismo com o mote de combate à corrupção durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). No YouTube, o canal do MBL conta com mais de 1 milhão de seguidores. O vídeo contestado pelos delegados foi assistido mais de 125 mil vezes.

A ação movida pelos delegados sustenta que a crítica é ‘ampla e infundada contra toda categoria’. “Tal situação causa ampla humilhação da categoria representada pelo autor , afetando diretamente a honra, imagem e dignidade de todos os delegados do estado de São Paulo (…) Além de sofrerem abusos diários em sua profissão, não apenas de criminosos apreendidos e de concepções errôneas de uma parcela da população atendida, agora deverá também lidar com a repercussão de tal comentário que poderá causar ainda maior desconforto e desconfiança da população quanto aos delegados”, escreveu o advogado Fábio Luiz Santana no pedido encaminhado à Justiça paulista.

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati. Foto: Divulgação

A presidente do sindicato, Raquel Kobashi Gallinati, classificou a manifestação do coordenador do MBL como ‘equivocada’ e ‘desrespeitosa’. “O Sindicato dos Delegados repudia qualquer ato de corrupção, seja ele praticado por policiais ou por qualquer outro agente público ou político e atua para que nossas instituições sejam aperfeiçoadas”, afirma.

COM A PALAVRA, RENAN DOS SANTOS

A reportagem busca contato com Renan dos Santos. O espaço está aberto a manifestação (rayssa.motta@estadao.com).

 

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