Delegados reagem a críticas à Operação Ouvidos Moucos após morte de reitor

Delegados reagem a críticas à Operação Ouvidos Moucos após morte de reitor

Em nota, principal associação da classe afirma que 'não se pode admitir que terceiros se utilizem da dor e comoção da família para tentar macular a imagem da Polícia Federal'

Julia Affonso e Fausto Macedo

11 de dezembro de 2017 | 09h06

UFSC. Foto: UFSC

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) saiu em defesa da delegada Erika Mialik Marena neste sábado, 9. A principal entidade da classe divulgou nota pública na qual manifesta repúdio a manifestações ‘que objetivam manchar a imagem da Polícia Federal e da delegada’ da Operação Ouvidos Moucos.

“Hoje, 9 de dezembro, é dia internacional contra a corrupção. Assim, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, representante de um dos protagonistas na atuação contra a corrupção, ao tempo em que apoia o trabalho técnico e republicano da Dra Érika Marena, reafirma a luta e conta com o apoio da sociedade para que, em vez de obstáculos indevidos aos atores da persecução criminal, sejam criados mais mecanismos que fortaleçam a prevenção e repressão da corrupção, dos desvios ao recurso público e da criminalidade organizada e que garantam à Polícia Federal a continuidade da prestação do serviço relevante que tanto orgulha a sociedade brasileira”, registra a nota.

Em setembro, a PF esteve na Universidade, no âmbito da Operação Ouvidos Moucos, para apurar esquema que supostamente desviou recursos de cursos de Educação a Distância (EaD), ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na ocasião, o então reitor, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, foi preso. Em 2 de outubro, ele foi encontrado morto no vão de um shopping de Florianópolis.

A ADPF destacou que a ação da PF ‘foi lastreada em farto material produzido pela Controladoria Geral da União – CGU, que demonstrava irregularidades’.

“Durante a primeira fase da investigação, professores da UFSC prestaram depoimentos sobre a existência de pressões do reitor para manter o quadro de irregularidades. Tais testemunhos foram fortalecidos pela comprovação documental de que o mandatário da Universidade procurou interferir na atuação da própria Corregedoria da Universidade, que conduzia investigação preliminar sobre o caso”, anotou a entidade.

Na nota, a ADPF lamentou ‘profundamente’ a morte do reitor e afirmou serem ‘compreensíveis os questionamentos da família, ante um acontecimento tão doloroso para si’.

“Porém não há erros que possam imputar ao Estado responsabilidades pelo suicídio do reitor. Logo, não se pode admitir que terceiros se utilizem da dor e comoção da família para tentar macular a imagem da Polícia Federal, mormente quando não se observa o mesmo empenho em questionar a forma como eram geridos aqueles recursos públicos”, afirma a entidade.

“A atuação da Polícia Federal foi absolutamente regular e devidamente autorizada pelo Judiciário. Também o foram os procedimentos de deflagração, de comunicação social e de recolhimento dos presos, que seguiram os mesmos procedimentos técnicos de todas as operações da PF.”

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