Delegados da PF repudiam movimento paredista na semana das eleições

Agentes, escrivães e papiloscopistas alegam ‘falta de compromisso' do governo

Redação

20 de outubro de 2014 | 20h13

Por Fausto Macedo

As duas principais entidades dos delegados de Polícia Federal classificaram, em nota conjunta, como “injustificável a realização do movimento paredista por policiais federais” na semana que antecede o segundo turno das eleições gerais de 2014.

A nota é subscrita pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e pela Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol).

As duas entidades informam que estão mobilizadas com a direção geral da Polícia Federal e com o Ministério da Justiça pela aprovação no Congresso Nacional das Medidas Provisórias 650/2014 e 657/2014.

A MP 650 trata do nível superior para agentes, escrivães e papiloscopistas. A MP 657/2014 define que a direção da corporação será exercida por delegado de Polícia Federal de carreira.

Para os delegados a MP 657 é a MP da Autonomia.

Os delegados afirmam que as funções de polícia eleitoral da União “estarão plenamente garantidas para que a população não tenha prejuízos em exercer seu direito livre ao voto”.

Os delegados destacam que “para tranquilidade do povo brasileiro” os servidores da PF “são profissionais conscientes da elevada responsabilidade da instituição”.

“A consolidação da Polícia Federal como órgão de Estado requer um comportamento profissional condizente com o interesse público, não se confundindo as preferências eleitorais de pequenos grupos com a instituição da qual fazem parte. Afinal, isso seria negar a natureza republicana conquistada ao longo de vários governos pela Polícia Federal”, assinalam os delegados.

‘Falta de compromisso’. Nesta segunda feira, 20, policiais federais no Estado de São Paulo decidiram apoiar o movimento paredista deflagrado em outros Estados, com manifestação em Santos, no litoral paulista, envolvendo servidores de outras cidades e da Capital.

A manifestação ocorrerá a partir das 18h30 desta terça-feira, 21.

Os policiais reclamam de “interferências, do uso político da Polícia Federal e da falta de compromisso do atual governo”.

Agentes, escrivães e papiloscopistas federais protestam contra “a falta de compromisso do atual governo em relação ao termo de acordo que finalizou a última greve, em 2012”.

O Termo de Acordo 001/2014, assinado em maio desse ano, resultou na formação de um Grupo de Trabalho para a discussão da reestruturação da carreira policial federal.

Segundo os policiais, representantes dos Ministérios da Justiça, Planejamento e Departamento de Polícia Federal participaram das discussões.

Os policiais estão irritados com a edição da Medida Provisória, na semana passada, que define que a direção geral da PF será ocupada exclusivamente por delegado de carreira da PF.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Estado de São Paulo e diretor Parlamentar da Federação Nacional dos Policiais Federais, Alexandre Santana Sally, o governo não editou a Media Provisória “conforme o combinado, mesmo com a conclusão dos estudos do Grupo de Trabalho (GT) e o extenso material produzido anteriormente, deixando de reestruturar a Polícia Federal”.

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Jones Borges Leal, afirma que “a carreira está sucateada”.

“Sem o menor respeito pela categoria, o governo não reajusta nossos salários de forma coerente com a correção dos oito anos de defasagem alegando que não pode oferecer além dos 15,8%”, argumenta Leal, em artigo no site da entidade. “Como se não bastasse, os escrivães, papiloscopistas e agentes sofrem diariamente perseguições de todos os tipos. O assédio moral impera no Departamento, como se isso fosse demonstração de poder e hierarquia, quando na verdade nada mais é do que o raio-X do adoecimento da estrutura policial e de resquícios de uma ditadura que não deveria existir mais.”

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