Delegados da PF presos na Operação Inversão negam cobrança de propinas de fraudadores da Previdência

Delegados da PF presos na Operação Inversão negam cobrança de propinas de fraudadores da Previdência

Advogados de defesa pedem revogação da custódia preventiva e liberdade provisória para Ulisses Mendes, Rodrigo Leão e Carlos Valbão que, segundo a Procuradoria, transformaram delegacia previdenciária da PF em São Paulo em 'balcão de negócios'

Fausto Macedo e Julia Affonso

15 de julho de 2016 | 16h22

Foto: Jose Lucena/Futura Press

Foto: Jose Lucena/Futura Press

Os delegados da Polícia Federal Ulisses Francisco Vieira Mendes, ex-chefe da Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários da PF em São Paulo, hoje aposentado, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão foram ouvidos em audiência de custódia nesta sexta-feira pela juíza Ana Clara de Paula Oliveira, da 9.ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Os três delegados foram presos em caráter preventivo na Operação Inversão, deflagrada na quinta, 13, por suspeita de envolvimento em um esquema de propinas que teriam exigido para barrar uma investigação contra fraudadores da Previdência.

Durante a audiência, os advogados de defesa apresentaram pedido de liberdade provisória dos delegados federais. Os defensores sustentam que não há provas de que os policiais exigiram valores ilícitos dos alvos da Operação Trânsito, que antecedeu Inversão. A juíza encaminhou os pedidos ao Ministério Público Federal que vai se manifestar sobre o pedido de revogação da prisão preventiva dos delegados.

Inversão é uma missão conjunta do Ministério Público Federal e do Setor de Contra Inteligência da Polícia Federal. Segundo a Procuradoria da República, os delegados ‘transformaram a Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários (Deleprev) em um balcão de negócios e de impunidade’. De acordo com a Procuradoria, os delegados conduziam investigações para exigir propina. Um alvo da Deleprev teria feito pagamentos regulares.

Inicialmente, circulou a informação de que os alvos da Operação Inversão eram agentes da PF. Mas nenhum agente federal é investigado na Inversão. Os alvos são os três delegados federais que, segundo a Procuradoria da República, teriam cobrado propina de até R$ 800 mil.

“Pesam contra eles várias provas de sua participação, inclusive obtidas com interceptação ambiental e ações realizadas em seus gabinetes com autorização judicial”, aponta a Procuradoria.

Os delegados, por meio de seus defensores, negam taxativamente qualquer ato ilícito. “Pedi a liberdade provisória do dr. Ulisses na audiência de custódia. O Ministério Público Federal vai se manifestar em 24 horas”, declarou o advogado Olímpio José Ferreira Rodrigues, do escritório Nelson Willians Advogados, que representa a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). Neste caso, o escritório defende o delegado Ulisses Francisco Vieira Mendes, que chefiava a Deleprev e há cerca de dois meses se aposentou.
“Posso afirmar que o delegado Ulisses é inocente. A Operação (Inversão) quebrou o sigilo telefônico do dr. Ulisses e não foi identificada nenhuma vinculação dele com qualquer irregularidade. Ele foi alvo da Operação porque foi chefe da Deleprev, só por conta disso”, declarou o advogado Olímpio José Ferreira Rodrigues.

Ao pedir liberdade provisória para o delegado Ulisses, o advogado afirmou. “Ele não representa nenhum risco para a instrução processual, até porque está aposentado. Foi incluído na Operação exclusivamente porque era o chefe da Deleprev na Operação Trânsito.”

Trânsito foi deflagrada em 2015 contra um grupo de fraudadores da Previdência. “O delegado Ulisses tem uma carreira respeitada, foi delegado da Polícia Civil, depois foi agente e delegado da Polícia Federal. Não há contra ele nenhuma gravação e ninguém o cita. Além disso, não foi identificado nenhum depósito bancário, nem foi encontrado dinheiro na casa dele.”

O criminalista Luiz Fernando Pacheco, que defende o delegado Rodrigo Leão,. também pediu liberdade provisória para seu cliente durante a audiência de custódia. “Nossa expectativa é que o Ministério Público Federal dê parecer favorável e a juíza decida pela liberdade provisória. Não há nenhum motivo para essa prisão preventiva do delegado Rodrigo Leão. Foi uma grande surpresa a prisão do delegado porque não existe nada nos autos contra ele.”

Pacheco anota que o argumento para a decretação da prisão de Rodrigo Leão foi uma reclamação protocolada na Corregedoria da Polícia Federal por investigados, ‘pessoas estas que foram indiciadas (pela Deleprev)’.

“O delegado Leão presidiu o inquérito da Operação Trânsito. Posso assegurar que não há materialidade de propina, nada, nada. nada. Não há nenhum depósito, nenhum repasse para ele. Nada. Por isso, temos a convicção de que o Ministério Público Federal vá emitir parecer favorável ao pedido de liberdade provisória ante a ausência de qualquer justificativa para a medida cautelar.”

O criminalista enfatiza que Rodrigo Leão ‘está há 14 anos na Polícia Federal e conta uma longa ficha de serviços prestados, sem nada que o desabone’.

Luiz Fernando Pacheco acredita o delegado Leão pode ter sido vítima de uma vingança de pessoas por ele indiciadas na Operação Trânsito.

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