Delegados da PF apontam tráfico de influência de políticos na Lava Jato

Delegados da PF apontam tráfico de influência de políticos na Lava Jato

Entidade de classe divulga nota em defesa dos responsáveis pela operação e rebate acusações sobre a instalação de escutas na cela do doleiro Alberto Youssef feitas na CPI da Petrobrás

Redação

03 de julho de 2015 | 18h51

Por Mateus Coutinho e Julia Affonso

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota nesta sexta-feira, 3, em defesa do Superintendente da Polícia Federal no Paraná Rosalvo Ferreira Franco e dos delegados da Operação Lava Jato Igor Romário de Paula e Márcio Adriano Anselmo. Na nota, a entidade aponta ” a ação de representantes dos poderes econômico e político, agindo para desqualificar os investigadores, com objetivo claro de desviar o foco das investigações da operação Lava Jato”.

A medida ocorre um dia depois de o agente da PF Dalmey Fernando Werlang afirmar à CPI da Petrobrás na Câmara ter implantado escutas na cela onde o doleiro Alberto Youssef ficou preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba a mando dos delegados. Para a ADPF, o desenrolar da operação tem provocado a atuação de “grupos que praticam tráfico de influência e agem nas sombras para tentar gerar nulidades na operação, em benefício de pessoas investigadas.”

CPI DA PETROBRAS/DALMEY FERNANDO WERLAN

Agente da PF Dalmey Fernando Werlan depôs na CPI da Petrobrás. Foto: Dida Sampaio/Estadão

“A ADPF não vai admitir ataques de qualquer tipo, principalmente declarações genéricas que possam colocar em dúvida a lisura e independência dos dedicados e sérios profissionais que apuram os desvios de recursos públicos e lutam pelo fim da impunidade de corruptos e corruptores”, segue o texto.

+ Empresa de delator foi subcontratada em cartel de trens em SP

+ Tribunal nega habeas corpus para evitar prisão de Dirceu

+ Juiz da Lava Jato critica morosidade no combate ao colarinho branco

Em seu depoimento na CPI, Werlang afirmou que a escuta na cela do doleiro teria sido implantada por ordem do superintendente da PF no Paraná, Rosalvo Franco, e dos delegados Igor Romário de Paula e Márcio Anselmo. A escuta no fumódromo teria sido pedida para uma delegada que é mulher de outro delegado e tinha o objetivo de monitorar os próprios agentes da PF.

Werlang também afirmou que colocou a escuta no segundo andar da Superintendência da PF no dia da prisão de Youssef, em março do ano passado. De acordo com o agente, os equipamentos fizeram gravações, que foram repassadas para Anselmo e para uma delegada.

Alberto Youssef presta depoimento na CPI da Petrobrás. Foto: Félix R./Futura Press

Alberto Youssef presta depoimento na CPI da Petrobrás. Foto: Félix R./Futura Press

Em reposta a fala do agente, a associação afirma que “não vai admitir ataques de qualquer tipo, principalmente declarações genéricas que possam colocar em dúvida a lisura e independência dos dedicados e sérios profissionais que apuram os desvios de recursos públicos e lutam pelo fim da impunidade de corruptos e corruptores.”

Veja abaixo a íntegra da nota:

“A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) vem a público manifestar apoio a todos os Policiais Federais que atuam na “Operação Lava Jato”, citados ontem durante sessão da CPI que investiga a Petrobras, na Câmara dos Deputados. Em especial, o Superintende da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco e os Delegados Igor Romário de Paula e Márcio Anselmo.

A ADPF confia na qualidade e eficiência dos trabalhos desenvolvidos, bem como na atuação ética e isenta dos policiais citados que exercem suas funções constitucionais com estrito respeito à Legislação Penal Brasileira e ao Estado de Direito. A operação Lava Jato vem sendo conduzida pela Polícia Federal com rigor na apuração dos fatos, mas sempre de forma equilibrada e justa.

Infelizmente, diante dos fatos recentes, os Delegados Federais, perceberam a ação de representantes dos poderes econômico e político, agindo para desqualificar os investigadores, com objetivo claro de desviar o foco das investigações da operação Lava Jato. São grupos que praticam tráfico de influência e agem nas sombras para tentar gerar nulidades na operação, em benefício de pessoas investigadas.

A ADPF não vai admitir ataques de qualquer tipo, principalmente declarações genéricas que possam colocar em dúvida a lisura e independência dos dedicados e sérios profissionais que apuram os desvios de recursos públicos e lutam pelo fim da impunidade de corruptos e corruptores.

Vale destacar que no exercício de suas atribuições constitucionais a Polícia Federal, enquanto órgão de Estado, não persegue, não intimida, mas também não se deixa intimidar, principalmente por pessoas que se imaginam intocáveis e inatingíveis.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.