Delegados da Lava Jato veem troca de Daiello como risco às investigações

Delegados da Lava Jato veem troca de Daiello como risco às investigações

Proposta da Associação dos Delegados da Polícia Federal de trocar o diretor-geral é encarada por equipe que apura o caso Petrobrás, em Curitiba e Brasília, como ação política que pode refletir negativamente; delegados da Lava Jato, Acrônimo e Zelotes vão redigir carta pública em apoio

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

14 de fevereiro de 2017 | 18h47

PF falou sobre a nona Operação da Lava Jato em Curitiba. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Delegados da Lava Jato, em Curitiba: apoio a diretor-geral da PF / Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Os delegados da Operação Lava Jato, em Curitiba e Brasília, veem a possível troca do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, como um risco às investigações do mega esquema de corrupção na Petrobrás – com rombo que ultrapassa os R$ 40 bilhões.

“A coordenação da Lava Jato obviamente não apoia a saída do diretor-geral Leandro Daiello. Como apoiar um ato que vai contra o que vimos nos últimos três anos? O diretor-geral sempre se mostrou isento quanto às investigações, bem como fez as liberações de recursos que solicitamos”, afirmou o delegado Maurício Moscardi.

“Até mesmo quanto ao efetivo da operação, muito criticada, estamos sendo integralmente atendidos.”

Hoje são quase 60 policiais – entre delegados, agentes e peritos – que integram a Lava Jato, em Curitiba. “Quase 60 policiais em uma operação era uma realidade desconhecida para nós.”

Carta. Segundo o Estado apurou, delegados da PF que integram as operações Lava Jato, em Curitiba e Brasília, da Acrônimo e da Zelotes vão redigir uma carta pública manifestando apoio ao diretor-geral, declarando que confiam no seu trabalho e que “sua saída pode representar riscos às operações”.

O documento será assinado por aproximadamente 30 delegados que integram a linha de frentes dessas três operações de combate à corrupção, que têm agitado o País nos últimos três anos e provocaram uma reviravolta no mundo político.

Para os delegados da Lava jato, o movimento da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) de propor a troca de Daiello é político e pode refletir negativamente para a polícia e as operações como a Lava Jato.

LAVA1 PARANA 21/06/2016 - ALEXANDRE DE MORAES / MORO - NACIONAL - O ministro da justiça Alexandre Moraes pose ao lado do juiz Sérgio Moro após encontro na sede da Policia Federal, em Curitiba (PR). Foto Justiça Federal do Paraná

Daiello (2º. da esq. à dir.) com Alexandre Moraes, Moro e delegados da Lava Jato / JFPR

A entidade de classe quer que o governo aprove a adoção do uso de uma lista tríplice para indicação do diretor-geral da Polícia Federal – como é feito no Ministério Público Federal para escolha do procurador-geral da República.

Em carta ao presidente Michel Temer (PMDB), a ADPF propôs a saída de Daiello. Em nota pública, a entidade afirmou ainda que seu comando tem esvaziado a Lava Jato.

Risco. A coordenação dos delegados da Lava Jato, em Curitiba, rebate as afirmações de esvaziamento da equipe.

Segundo os delegados Igor Romário de Paula e Maurício Moscardi, todo orçamento pedido para o comando da corporação foi atendido integralmente em 2017.

Segundo eles, a transferência de delegados da equipe, como a de Márcio Anselmo – que vai assumir a Corregedoria da PF no Espírito Santo -, foi feita a pedido.

O próprio Anselmo negou em documento enviado aos superiores que seu pedido de remoção tenha relação com pressões políticas ou insatisfação.

Na contramão dos argumentos da ADPF, pelo menos três delegados da equipe da Lava Jato, em Curitiba, que eram de outros estados e estavam em missão, foram transferidos definitivamente para a cidade sede do escândalo Petrobrás, entre eles Filipe Hille Pace e Renata Silva.

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