Delegado pede a Alexandre coleta de novos depoimentos no caso que apura interferência de Bolsonaro na PF

Delegado pede a Alexandre coleta de novos depoimentos no caso que apura interferência de Bolsonaro na PF

Ministro foi provocado a rever decisão do ex-ministro Celso de Mello e retomar oitivas

Weslley Galzo/BRASÍLIA

20 de agosto de 2021 | 18h07

O delegado de Polícia Federal (PF) Felipe Alcântara de Barroso Leal encaminhou nesta sexta-feira, 20, ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma petição para a retomada da tramitação regular do inquérito que apura denúncias de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF. Leal pede a realização de novos depoimentos para que as investigações avancem.

Ele também solicita a Moraes que julgue se a decisão do ex-ministro Celso de Mello, que divulgou as gravações da reunião ministerial realizada em abril de 2020 pelo governo Bolsonaro, continua valendo. Em maio daquele ano, Mello autorizou o acesso do Ministério Público, dos advogados do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, do Advogado-Geral da União e da delegada da PF Christiane Corrêa Mahado ao vídeo do encontro de ministros. A decisão do magistrado foi tomada para que todos, inclusive os defensores dos investigados, pudessem orientar a formulação das perguntas a serem feitas durante os depoimentos das testemunhas.

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A reunião ministerial ficou conhecida por ataques à democracia realizados por ministros e frases como “passar a boiada”, dita pelo então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O pedido do delegado da PF ao Supremo destaca que a decisão de Celso de Mello naquele momento “oportunizou a formulação de perguntas”, durante a realização dos depoimentos, “por parte não apenas do Ministério Público Federal, como também dos advogados dos investigados “.

O inquérito em curso no Supremo investiga as acusações apresentadas por Moro de que Bolsonaro teria agido sem seu consentimento na indicação de nomes para comandar a PF, com o objetivo de interferir politicamente na corporação. De acordo com Moro, Bolsonaro teria feito uma tentativa de aparelhar o órgão de Estado visando proteger seus filhos e aliados, que naquele momento estavam na mira de investigações em potencial.

Após as declarações de Moro, em coletiva de imprensa para anunciar sua saída do governo, o Supremo barrou a nomeação de Alexandre Ramagem ao cargo de diretor-geral da PF, sob suspeita de que ele poderia atuar na instituição atendendo aos interesses do governo. Impedido pela Justiça, Ramagem retomou suas funções na diretoria da Agência Brasileira de Investigação (Abin), onde se encontra até hoje. Desde então, o ministro Alexandre de Moraes relata o inquérito que investiga as supostas tentativas de Bolsonaro cooptar os agentes federais.

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