Delegado do caso Adélio diz que Bolsonaro ‘reconheceu esforço’ da investigação da PF

Delegado do caso Adélio diz que Bolsonaro ‘reconheceu esforço’ da investigação da PF

Em depoimento no inquérito Moro contra Bolsonaro, o delegado Rodrigo Morais Fernandes disse que o presidente 'não se mostrou insatisfeito' durante reunião na última sexta, 15, na qual foram explicadas as conclusões das investigações que apontaram ausência de mandantes no crime

Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto

20 de maio de 2020 | 18h12

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais Fernandes, responsável pelos dois inquéritos relacionados ao caso Adélio Bispo, relatou em depoimento que o presidente Jair Bolsonaro participou de reunião na última sexta, 15, no qual foi informado sobre a conclusão das investigações sobre o crime e não teria se mostrado insatisfeito com as apurações.

O relatório assinado por Fernandes apontou que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho em um crime sem mandantes. De acordo com o delegado, uma reunião no Palácio do Planalto contou com a presença de Bolsonaro, o ministro da Justiça André Mendonça e o diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza. A explanação teria sido feita nos moldes de outra, feita no ano passado, e serviria para Bolsonaro, na condição de vítima, saber sobre as conclusões das investigações.

“Que perguntado se nossa nova oportunidade o Presidente da República apresentou insatisfação com relação à investigação e/ou questionamentos, respondeu que houve questionamento no sentido de elucidar dúvidas, sendo que ao final, aparentemente, reconheceu o esforço investigativo, não se mostrando insatisfeito com o trabalho realizado pela Polícia Federal”, relatou Fernandes.

Outro depoimento prestando nesta quarta, 20, pelo superintendente da Polícia Federal em Minas aponta que Bolsonaro também não manifestou nenhuma reclamação sobre aprofundamento de investigações do caso Adélio Bispo na primeira reunião sobre as investigações, no ano passado.

As declarações vão na contramão de declarações recentes do presidente, que criticou a Polícia Federal sobre suposta falta de aprofundamento nas investigações do caso Adélio. Em pronunciamento após a renúncia do ex-ministro Sérgio Moro, o presidente afirmou que a PF se preocupar mais ‘com Marielle do que com seu chefe supremo’.

“E entendo, me desculpa seu ex-ministro, entre meu caso e da Marielle, o meu está muito menos difícil de solucionar, afinal de contas o autor foi preso em flagrante delito, mais pessoas testemunharam, telefones foram apreendidos, três renomados advogados em menos de 24 horas estavam lá para defender o assassino”, disse Bolsonaro, em abril.

Adélio Bispo de Oliveira é transferido para a prisão de segurança máxima de Campo Grande após o atentado contra Bolsonaro. Foto: Ricardo Moraes / Reuters

De acordo com o delegado Fernandes, responsável pelos dois inquéritos do caso Adélio, o presidente havia sido informado, também, de empecilhos jurídicos que barraram a apuração de uma linha de investigação. Por ordem do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), a PF não pode quebrar o sigilo do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defendeu Adélio Bispo. A intenção da PF era descobrir quem pagou os honorários do escritório da defesa. O caso aguarda análise no STF.

“A despeito disso, várias outras linhas de investigação foram traçadas e exauridas, inclusive apurando notícias veiculadas na imprensa e redes sociais que pudessem contribuir na investigação”, esclareceu o delegado.

Fernandes também destacou que os advogados que defenderam Bolsonaro no processo contra Adélio sugeriram diligências, ‘tendo sido acatadas pela autoridade policial e realizadas’. No âmbito judicial, Bolsonaro não apresentou recurso contra a sentença que considerou Adélio Bispo inimputável.

Ele esclareceu que teve plena liberdade para conduzir o cargo sem ter havido ‘ordem ou sugestão de linha investigativa’ por parte de seu superior hierárquico.

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