Delegado da PF denunciado por vazar Carne Fraca a condenado na Lava Jato

Delegado da PF denunciado por vazar Carne Fraca a condenado na Lava Jato

Segundo Ministério Público Federal, Mário Renato Castanheira Faton revelou dados da investigação sobre fraudes em frigoríficos ao ex-deputado André Vargas (PT/PR)

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

31 de maio de 2017 | 20h38

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O Ministério Público Federal denunciou nesta quarta-feira, 31, o delegado de Polícia Federal Mário Renato Castanheira Fanton, por supostamente vazar investigações da Operação Carne Fraca ao ex-deputado federal André Vargas, condenado a 13 anos e 10 meses de prisão no âmbito da Lava Jato. Segundo as investigações, o ex-parlamentar era próximo do fiscal do Ministério da Agricultura Juarez José Santana, envolvido em escândalos de corrupção na pasta.

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Essa não é a primeira vez que Castanheira é denunciado pelo Ministério Público Federal por atrapalhar investigações. Ele também é alvo de acusação criminal pelo procurador Daniel Holzmann Coimbra, do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial da Procuradoria, por supostamente fazer falsa denúncia contra integrantes da força-tarefa por coação e irregularidades nas investigações.

Fanton foi denunciado por se associar ‘para ofender a honra dos colegas’, apontando grampos ilegais na cela do doleiro Alberto Youssef – peça central da Lava Jato, e cujo fato teria poder de anular provas da investigação – e vícios na sindicância aberta para conduzir o caso.

Na nova acusação, o Ministério Público Federal sustenta que Fanton ‘agindo com consciência e vontade, no exercício de seu cargo de delegado de Polícia Federal, revelou a André Luís Vargas Ilário a existência de investigação sigilosa, sob sua presidência, instaurada em face de servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, dentre os quais o fiscal federal agropecuário Juarez José de Santana’.

Juarez Santana foi preso preventivamente e é réu na Carne Fraca. A operação mira corrupção na Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Paraná (SFA/PR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ele é acusado de pedir propinas a empresários do setor agropecuário para defender seus interesses na pasta. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, ele é amigo do ex-deputado, condenado na Lava Jato, e o delegado Renato Castanheira tinha conhecimento da relação entre ambos.

“Na ocasião, o denunciado, além de noticiar ao preso o objeto da investigação sigilosa que presidia, referente a crimes funcionais praticados por servidores do Ministério da Agricultura, citou o nome de investigados, como ‘Daniel’ (Daniel Gonçalves Filho) e ‘Juarez’ (Juarez José de Santana), revelou que havia um informante e especificou fatos sob investigação, como alteração de produtos de origem animal, recebimento de vantagens indevidas e a aquisição, por servidor público, de várias franquias de lanchonetes Subway. Ressalte-se que, quando de tal revelação, o denunciado tinha conhecimento da proximidade entre André Vargas Ilário e Juarez José de Santana”,afirma o Ministério Público Federal.

Apesar dos vazamentos, os procuradores afirmam que não ficou comprovado um eventual prejuízo à investigação, nem que o ‘fiscal federal agropecuário Juarez José de Santana tenha sido alertado indevidamente da existência do inquérito policial, até a deflagração da sua fase ostensiva, quando referido investigado foi preso’.