Delegado da Lava Jato vê ‘fartura de dinheiro sujo no País’

Delegado da Lava Jato vê ‘fartura de dinheiro sujo no País’

Operação Caça-Fantasmas aponta 'fortes indícios' de que Mossack Fonseca e banco panamenho clandestino atuavam juntos 'para constituir e registrar offshores para brasileiros, inclusive para futura venda a interessados e por meio delas promover ocultação patrimonial'

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

07 de julho de 2016 | 13h12

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

O delegado federal Igor Romário de Paula, da força-tarefa da Operação Lava Jato, apontou nesta quinta-feira, 7, ‘fartura de dinheiro sujo no País’. A Operação Caça-Fantasmas, 32ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta manhã, identificou o banco panamenho FPB sendo operado por um grupo sem autorização do Banco Central.

Segundo os investigadores, o esquema usou os serviços da Mossack Fonseca & Corporate Services para constituir offshores a clientes e ocultar a propriedade de recursos. A 32ª fase é um desdobramento da 22.ª fase da Lava Jato, que teve como alvo a Mossack Fonseca. A força-tarefa da operação afirma que os representantes do banco clandestino utilizavam os serviços da Mossack Fonseca para constituir offshores para seus clientes, e procediam à abertura e ao gerenciamento de contas sediadas no exterior para eles, tudo por intermédio de escritório localizado em São Paulo.

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Igor Romário de Paula destacou a complexidade do esquema. “Esse tipo de estrutura surge diante da fartura de dinheiro sujo que tem no País. Esse dinheiro precisa ser movimentado, precisa patrimônio precisa ser lavado, ocultado as suas origens e é nesses espaços que crescem situações como essa”, declarou.

A Operação Caça-Fantasmas identificou ao menos 44 offshores constituídas pela Mossack Fonseca por solicitação dos funcionários do banco clandestino. Em documentos apreendidos na 22.ª fase, a instituição financeira panamenha é apontada como cliente e constam como referência exatamente os funcionários do banco que atuam no Brasil.

Ter offshores e manter contas no exterior não é crime, afirmou o delegado. “Como se viu no caso da 22ª fase, a Mossack tinha uma forma de atuação em que deixava bem claro que os clientes não queriam ser conhecidos, a documentação era produzida e manuseada de forma tal que não pudesse ser acessada e serem identificadas os reais proprietários das empresas. Esse banco atuando, ligado diretamente de forma clandestina no País, nos leva a crer que a maioria desses clientes sejam clientes com recursos de origem ilícita.”

A força-tarefa da Lava Jato relata que no cumprimento das medidas ostensivas da 22.ª fase, foram colhidos ‘fortes indícios’ de que a Mossack Fonseca e o banco clandestino atuavam em conjunto para constituir e registrar offshores para brasileiros, inclusive para futura venda a interessados e por meio delas promover ocultação patrimonial.

“Num segundo momento, a investigação vai avançar para a identificação de clientes, como está avançando no caso da Mossack, vai avançar no caso do banco”, avisou o delegado Igor Romário de Paula.

A investigação aponta que os funcionários do banco panamenho no Brasil, além de atuarem de forma clandestina, garantiam anonimato aos seus clientes. Segundo o Ministério Público Federal, a partir da constituição das offshores, abriam e gerenciavam contas bancárias no exterior em seus nomes, permitindo a ocultação dos valores, havendo evidências de que offshores fornecidas pela Mossack foram usadas para ocultar recursos provenientes dos desvios perpetrados em detrimento da Petrobrás.

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