Delegada vê ‘núcleo de deputados corrompidos’ no Rio

Delegada vê ‘núcleo de deputados corrompidos’ no Rio

Em relatório preliminar da Operação Furna da Onça, Xênia Ribeiro Soares atribui prática de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa a dez deputados estaduais do DEM, MDB, PDT, PSC, PP, Avante e PTB

Fabio Serapião/BRASÍLIA e Julia Affonso/SÃO PAULO

10 de dezembro de 2018 | 17h33

Alerj. Foto: Fabio Motta/Estadão

A delegada da Polícia Federal Xênia Ribeiro Soares imputou, em relatório preliminar da Operação Furna da Onça, o crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 10 deputados estaduais do Rio, todos alvos de mandados de prisão no dia 8 de novembro. A delegada inclui os parlamentares no que denomina de ‘núcleo de deputados corrompidos’. Ela atribui também organização criminosa a sete parlamentares.

Estão citados no documento os deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) André Correa (DEM), Edson Albertassi (MDB), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Jorge Picciani (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinícius ‘Neskau’ (PTB) e Paulo Melo (MDB).

A Furna da Onça mira um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual que teria movimentado R$ 54,5 milhões.

Ao todo, a PF impõe crimes a 36 investigados. Dois deles são assessores dos deputados Coronel Jairo e Marcos Abrahão, identificados com movimentações atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – suspeitos por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

“Entendo que foram robustas as provas apresentadas no decorrer da investigação, havendo fortes elementos que convergem para a práticas de vários crimes”, apontou a delegada.

“Considerando a necessidade de que os investigados apresentem provas sob o amplo crivo do contraditório, apresentou o presente Relatório Policial, que busca de maneira preliminar compilar todo o material probatório e encaminhar os dados aos órgãos competentes para as medidas cabíveis.”

No documento, a PF atribui os crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro a 13 investigados do núcleo operacional – o vereador Daniel Marcos Barbiratto de Almeida (PDT), o Daniel Martins, assessores dos deputados e ‘pessoas envolvidas no recebimento da propina’. São suspeitos dos mesmos crimes quatro investigados do núcleo Detran.

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) e outros três investigados são suspeitos de corrupção ativa. Ao operador Carlos Miranda, delator da Lava Jato, e a quatro doleiros, a PF atribui os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

A base do relatório da PF são informações colhidas por seus investigadores, dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), depoimentos de delatores, análise dos sistemas e dados de contabilidade de doleiros, cruzamento de ligações telefônicas, interceptações e relatórios da Receita.

A delegada registra, no documento, ‘movimentações financeiras atípicas’ de R$ 18.504.200, 00 apontadas pelo Coaf envolvendo três assessores lotados no gabinete do deputado Luiz Martins.

Segundo Xênia, o fato ‘pode indicar uma das formas utilizadas para lavar o dinheiro recebido através de propina’. Os assessores não foram enquadrados pela PF.

“A movimentação de valores totalmente incompatíveis com a renda dos assessores mencionados, é elemento relevante a apontar que os servidores estejam colaborando com o branqueamento de capitais oriundos de propinas recebidas pelo deputado mencionado”, afirma a PF.

A reportagem está tentando localizar as defesas dos citados. O espaço está aberto para manifestação.