Delegada aponta que delator ‘não presenciou’ pedidos de Raupp por construtora

Delegada aponta que delator ‘não presenciou’ pedidos de Raupp por construtora

Em relatório final de 36 páginas, Graziela Machado da Costa, da Polícia Federal em Brasília, assinalou que Fernando 'Baiano', em colaboração premiada, narrou 'ter ouvido' de um empresário suposta pressão do senador

Beatriz Bulla e Rafael Moraes Moura, de Brasília, e Luiz Vassallo

17 Agosto 2017 | 05h00

VALDIR RAUPP FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Em relatório no qual isentou o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) do crime de corrupção passiva, a delegada Graziela Machado da Costa, da Polícia Federal, ressaltou que o delator Fernando ‘Baiano’ Soares ‘não presenciou’ a suposta interferência do peemedebista ‘para a contratação da Construtora Brasília Guaíba Ltda pela Petrobrás, através do acesso’ ao diretor da área de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Documento

Raupp era investigado, neste inquérito, por supostamente atuar em favor da construtora na Petrobrás. O relatório da PF foi encaminhado ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, que deve submeter o documento à Procuradoria-Geral da República. O Ministério Público é o titular da ação penal.

Em delação premiada, Fernando ‘Baiano’ disse ter ouvido do empresário André Loiferman, da Brasília Guaíba, ‘que precisava chegar a uma definição com a Petrobrás pois estava sendo pressionado a colaborar financeiramente para a campanha de Valdir Raupp ao Senado’.

O delator afirmou que o peemedebista interferiu, em 2009, junto ao ex-diretor Paulo Roberto Costa, para que a empresa fosse contratada. Em troca, segundo Fernando ‘Baiano’, ele teria contado doações para a campanha eleitoral.

A delegada aponta no relatório que a empresa acabou não sendo contratada pela Petrobrás e que não foi identificada nenhuma doação oficial em favor do senador neste caso.

“A corrupção passiva, em sua modalidade ‘solicitar’, de fato, é de consumação instantânea. Porém, essa instantaneidade envolve enorme dificuldade probatória, pois os mecanismos de captação (ainda que sejam os sentidos das testemunhas) têm que ser contemporâneos à solicitação. Não havendo tal captação, o que restava buscar (quando há apenas solicitação) são indicações de que esta realmente tenha ocorrido. No caso presente, a solicitação foi narrada pelo colaborador, que não a presenciou. Apesar de ter sido simultânea às tratativas envolvendo os fatos objeto do Inquérito 3982, consistentes em pedido de doação eleitoral decorrente do esquema de corrupção na Petrobrás, demonstrando que havia ambiente propício à solicitação, o conjunto probatório formado nesses autos foi insuficiente para corroborar a narrativa do colaborador quanto a esse aspecto”, sustenta a delegada.

COM A PALAVRA, RAUPP

Por meio de sua Assessoria, o senador Valdir Raupp afirmou que ‘sempre confia na Justiça e que recebe com respeito o relatório da Polícia Federal’.

Mais conteúdo sobre:

Valdir Rauppoperação Lava Jato