Delcídio tinha preocupação sobre Pasadena, relata Cerveró

Delcídio tinha preocupação sobre Pasadena, relata Cerveró

Em delação premiada, ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró afirma que líder do governo 'o procurava seguidamente para saber como estavam as pendências'; senador foi preso nesta quarta-feira, 25

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Andreza Matais

25 Novembro 2015 | 20h30

Delcídio do Amaral (à esq.) foi citado nas delações por Nestor Cerveró (centro) e Fernando Baiano (à dir.). Foto: Reuters, Estadão e AGK

Delcídio do Amaral (à esq.) foi citado nas delações por Nestor Cerveró (centro) e Fernando Baiano (à dir.). Foto: Reuters, Estadão e AGK

O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró revelou em sua delação premiada – termo de colaboração nº 4 – que o senador Delcídio do Amaral (PT/MS), líder do governo, ‘tinha preocupação em se manter informado’ sobre a Operação Lava Jato e a Refinaria de Pasadena, nos EUA. O polêmico empreendimento gerou prejuízo de US$ 792 milhões segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).

depoimento cervero

Delcídio do Amaral foi preso nesta quarta-feira, 25, pela Polícia Federal, após ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). O líder do governo foi detido por tentativa de barrar as investigações da Lava Jato.

“Delcídio do Amaral procurava seguidamente o declarante (Nestor Cerveró) para saber como estavam as pendências perante TCU e CPI (da Petrobrás), primeiramente envolvendo questões de termoelétricas e depois da Lava Jato; que Delcídio do Amaral tinha preocupação em se manter informado sobre o assunto, em razão da participação dele nas irregularidades praticadas”, delatou Cerveró.

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No último dia 18 de novembro, após intensas negociações, Cerveró fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Era esse o temor de Delcídio. O líder do governo tinha receio de que Cerveró o envolvesse no esquema de propinas na Petrobrás, estatal onde o petista trabalhou no setor de Óleo e Gás, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Delcídio do Amaral também foi citado na delação do lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado pela Lava Jato como operador de propinas do PMDB no esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Fernando Baiano disse que Delcídio do Amaral teria recebido US$ 1,5 milhão em espécie na operação de compra da Refinaria de Pasadena.

Em sua delação, Cerveró afirmou que o advogado Edson Ribeiro, que o defende na Lava Jato, ‘sempre manifestava preocupação no sentido de que não envolvesse Delcídio do Amaral’. “Edson Ribeiro dizia que Delcídio do Amaral estava trabalhando para resolver a situação do declarante.”

Ainda segundo Cerveró, depois de sua prisão, o advogado lhe dizia que ‘seria solto em questão de dias e que tecnicamente os processos não se sustentavam’.

Nestor Cerveró está preso desde janeiro deste ano. O ex-diretor já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Em um dos processos, o juiz federal Sérgio Moro impôs a Cerveró 12 anos e 3 meses de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro por recebimento de propina em cima de contratos de navios-sonda da Petrobrás. Em outra ação, o ex-diretor foi condenado a 5 anos de detenção pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento de luxo em Ipanema, no Rio.

OUÇA A ÍNTEGRA DA CONVERSA

Reunião. Numa conversa de 1h35 minutos, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), revela seu plano para conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para tirar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró da prisão e enviá-lo para fora do País. Em troca, Cerveró não faria acordo de delação premiada em que citaria o senador.

A conversa foi gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo, que participou de uma reunião com Delcídio e o advogado da família, Edson Ribeiro.