Delcídio é o terceiro senador cassado desde a redemocratização

Delcídio é o terceiro senador cassado desde a redemocratização

Ex-líder do governo Dilma entra para a lista que inclui Luiz Estevão, que atualmente cumpre pena de 31 anos de prisão por desvios no Fórum Trabalhista de São Paulo e Demóstenes Torres (ex-DEM)

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

10 de maio de 2016 | 21h12

BRA01. BRASILIA(BRASIL),09/05/2016.- El senador brasileño Delcidio Amaral durante un discurso hoy, lunes 9 de mayo de 2016, en Brasilia (Brasil). Amaral, quien implicó a la presidenta Dilma Rousseff y a su antecesor Luiz Inácio Lula da Silva en el escándalo de corrupción de la petrolera Petrobras, fue acusado hoy de haber violado el Código de Ética del Senado por las maniobras con las que intentó encubrir su responsabilidad en el gigantesco escándalo de corrupción por los desvíos de recursos públicos de la petrolera estatal. EFE/CADU GOMES

O ex-senador Delcídio Amaral. Foto: Cadu Gomes/EFE

Com a histórica decisão desta terça-feira, 10, de cassar o mandato do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido), já é a terceira vez que o Senado cassa o mandato de um parlamentar desde a redemocratização, em 1989. Os outros dois casos foram o do ex-senador Luiz Estevão (ex-PP e ex-PMDB), o primeiro a sofrer a sanção,em junho de 2000, e de Demóstenes Torres (ex-DEM). Nos três casos o motivo foi o mesmo, quebra de decoro parlamentar.

Foram 52 votos pela cassação do mandato de Estevão, 18 contra e 10 abstenções. No caso de Estevão a acusação que levou à perda de seu mandato foi por ele ter mentido na Casa sobre seu envolvimento no desvio de verba destinada à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Luiz Estevão. Foto: Estadão

Luiz Estevão. Foto: Estadão

Em fevereiro de 2016, a Justiça Federal em São Paulo determinou a prisão de Estevão, que atualmente cumpre pena de 31 anos por desvio de verbas do Fórum Trabalhista de São Paulo.

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Doze anos depois da cassação de Estevão, em julho de 2012, foi a vez o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) perder o mandato por 56 votos favoráveis à perda, 19 contrários e 5 abstenções. O ex-parlamentar, que até então posava como “paladino da ética” na Casa foi condenado sob a acusação de mentir a colegas, receber vantagens indevidas e usar o mandato para defender interesses de Carlinhos Cachoeira, contraventor que atuava com jogos de azar e foi alvo da operação Monte Carlo.

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O ex-senador Demóstenes Torres. Foto: Estadão

A Monte Carlos foi deflagrada naquele ano e que revelou a ligação de Demóstenes com um esquema criminoso liderado por Cachoeira em Goiás e no Distrito Federal.

Sua cassação ocorreu três meses após admitir que era só “amigo do empresário”, em referência a Cachoeira. A Monte Carlo flagrou 416 conversas telefônicas entre Demóstenes e Cachoeira. Conhecido na maior parte dos seus nove anos e meio de mandato por ser implacável na cobrança aos pares, no dia de sua cassação, em plenário, Demóstenes chegou a pedir perdão em seu no discurso a quem “levianamente” agrediu.

Diferente de Estevão, que está preso e condenado, e de Delcídio, que chegou a ser preso ano passado e fez um acordo de delação premiada, Demóstenes nunca foi preso pelas autoridades e não responde a nenhuma ação penal. Ele, contudo, está inelegível até 2027.

Delator. Diferente dos outros casos, Delcídio foi o único em que a votação pela sua cassação foi aberta e o único que fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e homologado pelo STF no qual fez acusações contra a presidente da República Dilma Rousseff, seu vice Michel Temer, o ex-presidente Lula, a cúpula do PMDB no Senado, incluindo Renan Calheiros, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o presidente do PSDB Aécio Neves.

Suas acusações estão entre as mais fortes de toda a Lava Jato e deram origem a dezenas de inquéritos perante o Supremo  Tribunal Federal contra políticos da base e da oposição do governo federal