Delatores revelam que Eduardo Cunha pediu dinheiro para governador do Tocantins

Delatores revelam que Eduardo Cunha pediu dinheiro para governador do Tocantins

Executivos da Odebrecht contaram à Procuradoria que Marcelo Miranda, do partido do ex-presidente da Câmara (PMDB), recebeu valores na campanha de 2010

Julia Affonso, Fábio Serapião e Fábio Fabrini

12 de abril de 2017 | 05h15

Marcelo Miranda, governador do Tocantins. Foto: Ed Ferreira/AE - 2009

Marcelo Miranda, governador do Tocantins. Foto: Ed Ferreira/AE – 2009

Dois delatores da Operação Lava Jato apontam que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pediu dinheiro para o governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), em 2010. A revelação foi feita pelos executivos da Odebrecht Mário Amaro da Silveira e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis à Procuradoria-Geral da República.

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“Segundo o Ministério Público, os colaboradores narram, em suma, que, no ano de 2010, o Grupo Odebrecht efetuou repasse de valores ao então candidato ao governo do Estado de Tocantins Marcelo de Carvalho Miranda. Tais pagamentos foram realizados a pedido do ex-deputado Federal Eduardo Cunha, com o propósito de proteger interesses da empresa, sendo que as tratativas eram celebradas com o assessor de Marcelo Miranda, Herbert Brito”, narrou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

O ministro determinou o levantamento do sigilo dos autos e mandou enviar os depoimentos dos delatores para o Superior Tribunal de Justiça. O governador Marcelo Miranda possui foro por prerrogativa de função junto ao STJ.

“Registro que a presente deliberação não importa definição de competência, a qual poderá ser avaliada nas instâncias próprias”, observou Fachin.

Eduardo Cunha está preso na Lava Jato desde outubro de 2016. O ex-deputado foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 15 anos e 4 meses por corrupção e lavagem de dinheiro.

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