Delatora da Paraíba cita R$ 2 mi a Efraim Filho por apoio à reeleição de Ricardo Coutinho

Delatora da Paraíba cita R$ 2 mi a Efraim Filho por apoio à reeleição de Ricardo Coutinho

Ex-procuradora-geral do Estado Livânia Farias, que fechou acordo de delação premiada na Operação Calvário, aponta também pagamentos de R$ 250 mil 'no bairro Jardim Luna, em um prédio defronte a um quiosque da empadinha Barnabé'

Luiz Vassallo

06 de janeiro de 2020 | 15h38

Efraim Filho, do DEM. Foto: André Dusek/Estadão

Em delação premiada, a ex-procuradora-geral do Estado da Paraíba, Livânia Farias, afirma que o deputado federal Efraim Filho recebeu R$ 2 milhões em troca do apoio eleitoral à campanha que reelegeu o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), em 2014.

O ex-chefe do executivo do Estado chegou a ser preso no dia 20 de dezembro na Operação Calvário, que mira desvios de até R$ 134,2 milhões da Saúde em sua gestão. Por ordem do ministro Napoleão Maia, do Superior Tribunal de Justiça, foi solto no dia seguinte.

Livânia Faria, procuradora-geral da Paraíba de 1.º de janeiro a 29 de junho de 2011. Foto: PGE-PB/Divulgação

Coutinho é o principal nome citado na delação de Livânia. Ela afirmou ao Ministério Público Estadual da Paraíba que o ex-governador recebeu R$ 4 milhões em dinheiro vivo, na residência oficial do Executivo, a Granja de Santana.

Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, é apontado como líder de organização criminosa que desviou mais de R$ 134 mi da Saúde. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Um dos anexos da delação da ex-secretária da Administração, que também foi procuradora-geral do Estado, é dedicado a narrar a suposta compra de apoio eleitoral do deputado Efraim Filho (DEM), e seu partido, ao ex-governador.

Documento

Livânia diz ter ouvido de Ivan Burity, ex-secretário de Turismo do Estado, que ‘houve um acordo para que Efraim Filho ficasse com apoio da chapa seria pago um valor de R$2.000.000,00’. Ainda relata a entrega de R$ 1 milhão para Efraim ‘no dia do acordo’.

Ela também cita pagamentos de R$ 250 mil ‘no bairro Jardim Luna, em um prédio defronte a um quiosque da empadinha Barnabé’.

Pai, filho e R$ 1 milhão

Deputado Hugo Motta. Foto: Lúcio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados

Em sua delação premiada, a ex-procuradora-geral apontou o deputado federal Hugo Motta (Republicanos) e seu pai, o deputado estadual Nabor Wanderley, em um suposto acordo que envolvia pagamentos da extinta Empresa Paraibana de Serviços Agrícolas (Empasa) a fornecedores.

““QUE recebeu uma determinação do Governador Ricardo Coutinho que efetuasse um pagamento de um produto, no ano de 2018, no valor de R$1.000.000,00 (um milhão de reais); QUE o produto compra e vende para outras pessoas; QUE tinha uma empresa que funciona no Distrito Industrial de Mangabeira por trás de uma empresa de Marketing enorme; QUE teve a oportunidade de ir à empresa em 2014 onde recebeu R$120.000,00 (cento e vinte mil reais) para campanha, em 2014; QUE essa empresa ficou de ser pago; QUE a conversa seria entre RICARDO COUTINHO, HUGO e NABOR; QUE HUGO ligou diversas vezes querendo marcar um encontro; QUE NABOR veio conversar e foi autorizado o valor de R$500.000,00 (quinhentos mil reais) para ser resolvido e os outros R$500.000,00 (quinhentos mil reais) não sabe dizer se foi pago e o que foi resolvido entre HUGO e NABOR, em 2018”, consta, no termo de colaboração.

COM A PALAVRA, EFRAIM

“A citação não veio acompanhada de uma prova sequer, faz referência a um mandato já encerrado, cujas contas da eleição 2014 foram analisadas e aprovadas pela justiça eleitoral.

Mesmo não estando no rol dos investigados, deixei a disposição da justiça Meu sigilo fiscal, bancário e telefônico”.

COM A PALAVRA HUGO MOTTA

A reportagem entrou em contato com o parlamentar. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, NABOR WANDERLEY

A reportagem entrou em contato com o gabinete do deputado estadual. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, RICARDO COUTINHO

Em 17 de dezembro, fora do país, Ricardo Coutinho divulgou a seguinte manifestação, quando sua prisão foi decretada:

“Fui surpreendido com decisão judicial decretando minha prisão preventiva em meio a uma acusação genérica de que eu faria parte de uma suposta organização criminosa.

Com a maior serenidade digo ao povo paraibano que contribuirei com a justiça para provar minha total inocência. Sempre estive à disposição dos órgãos de investigação e nunca criei obstáculos a qualquer tipo de apuração.

Acrescento que jamais seria possível um Estado ser governado por uma associação criminosa e ter vivenciado os investimentos e avanços nas obras e políticas sociais nunca antes registrados.
Lamento que a Paraíba esteja presenciando o seu maior período de desenvolvimento e elevação da autoestima ser totalmente criminalizado.

Estou em viagem de férias previamente programada, mas estarei antecipando meu retorno para me colocar à inteira disposição da justiça brasileira para que possa lutar e provar minha inocência.

Ricardo Vieira Coutinho”

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