Delator também recebeu R$ 650 mil da Engevix por “consultoria”

Delator também recebeu R$ 650 mil da Engevix por “consultoria”

Paulo Roberto Costa, que confessou ter usado firma para receber propina atrasada da Petrobrás, firmou contrato com empreiteira do cartel nos mesmos moldes dos mantidos por Dirceu e Renato Duque

Redação

21 de maio de 2015 | 15h02

Paulo Roberto Costa atuava, segundo a PF, com facilitador do doleiro Alberto Youssef na Petrobrás, tanto no período em que ocupava o cargo, entre 2004 e 2012, quanto depois, como consultor do setor petroquímico (Foto: Dida Sampaio/Estadão)

Paulo Roberto Costa. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Por Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Andreza Matais

A construtora Engevix, acusada de usar o lobista Milton Pascowitch preso nesta quinta-feira, 20, na 13ª fase da Operação Lava Jato – para dar propina em contratos da Petrobrás, por meio de “falsas consultorias”, foi uma das que pagou a empresa Costa Global – aberta pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

Alvo da nova fase da Lava Jato, Pascowitch é o elo da Engevix com o suposto pagamento de propina para o ex-ministro José Dirceu, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e o PT. Para a Costa Global, a Engevix pagou R$ 650 mil, segundo apontaram as quebras de sigilo.

Primeiro delator da Lava Jato, Costa confessou que era o braço do PP no esquema de arrecadação de propina na Petrobrás e que abriu a Costa Global após sua saída da estatal, em 2012, por meio da qual recebeu valores que estavam atrasados referentes às propinas dos contratos da estatal.

Segundo as denúncias, indicados políticos do PT, PMDB e PP arrecadavam de 1% a 5% de propina em contratos da Petrobrás assinados com 16 empresas acusadas de cartel, entre elas a Engevix.

“Mesmo depois de Paulo Roberto Costa deixar a Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, continuou recebendo propinas em decorrência de contratos firmados à época em que foi Diretor da estatal, em especial nos casos em que a execução dos contratos se estendeu no tempo após a sua saída. As tratativas para o recebimento de tais vantagens indevidas pendentes foram efetuadas diretamente entre Paulo Roberto Costa e os executivos das empreiteiras corruptoras, sendo que para operacionalizar tais recebimentos o referido réu se serviu da celebração de contratos fraudulentos de consultoria entre a sua empresa Costa Global e as empreiteiras”, sustenta o Ministério Público Federal.

A Engevix informou que não fará comentários.

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