Delator relata retirada de R$ 4 milhões da casa de ex-diretor da Dersa

Delator relata retirada de R$ 4 milhões da casa de ex-diretor da Dersa

Executivo da Odebrecht afirma que dinheiro foi levado em malas da residência de Paulo Preto e transferido para conta na Suíça cujo destinatário seria o senador José Serra (PSDB)

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

18 de abril de 2017 | 17h36

Luiz Eduardo

Luiz Eduardo

Integrante do ‘departamento de propina’ da Odebrecht, o executivo Luiz Eduardo Soares afirmou, em depoimento no acordo de delação premiada com o Ministério Público federal (MPF), ter participado de uma operação para retirar R$ 4 milhões da casa de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa conhecido como Paulo Preto, e transferir o dinheiro para uma conta na Suíça cujo beneficiário seria o senador José Serra (PSDB).

Documento

Segundo Luiz Eduardo Soares, a fortuna foi retirada em malas do apartamento de Paulo Preto no Itaim Bibi, pelo doleiro Álvaro Novis, da empresa Hoya Corretora, e transferido em valor correspondente a US$ 2 milhões para uma conta na Suíça pelo empresário Jonas Barcellos, dono do grupo Brasif, que atua em diferentes segmentos, como locação de máquinas, cultivo de cana-de-açucar e venda de roupas íntimas.

No depoimento, Soares relata que o então presidente da empreiteira, Benedicto Júnior, o ‘BJ’, pediu a ele que acompanhasse outro executivo, Roberto Cumplido, que era responsável pela empresa na obra do trecho sul do Rodoanel, em uma reunião com Paulo Preto na sede da Dersa. “Ele estava querendo devolver um numerário para nós, e fomos lá para combinar como é que seria a retirada desse dinheiro. O valor era de R$ 4 milhões”, afirma Soares.

“Passadas algumas semanas, o Benedicto Júnior me chamou para uma reunião no Rio de Janeiro, no bairro do Leblon, no escritório do Jonas Barcellos, da Brasif, onde a gente tinha que fazer pagamentos de US$ 2 milhões. Júnior comentou que seria referente ao valor retirado da mão de Paulo Preto e que esse dinheiro seria de propriedade de José Serra ou pertenceria a José Serra”, completou. Neste caso, contudo, ele não apresentou informações ou documentos que possam provar o teor da denúncia.

No vídeo, ele relata que o fato ocorreu entre janeiro e abril de 2010, antes da saída de Paulo Preto da Dersa, em abril daquele ano. Mas no documento anexo ao termo de colaboração assinado com o MPF por ele e seus advogados, Soares relata que o episódio se deu em 2011. A versão foi confirmada por Benedicto em seu termo de colaboração. Segundo ele, o fato ocorreu em 2011. Roberto Cumplido não fez menção ao episódio em seu depoimento.

Em 2010, durante a eleição presidencial disputada por José Serra, a revista IstoÉ publicou reportagem mencionando que políticos do PSDB, entre os quais Eduardo Jorge e José Aníbal, haviam acusado Paulo Preto de ter sumido com R$ 4 milhões. O caso foi explorado pela campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) nos debates eleitorais. Após a eleição, Paulo Preto ganhou um processo contra a revista na Justiça.

COM A PALAVRA, O SENADOR JOSÉ SERRA (PSDB)

“A confusa história relatada pelo delator não faz nenhum sentido. O senador José Serra jamais teve relações com boa parte dos personagens citados e, como afirmou o ex-presidente da empreiteira Pedro Novis em depoimento, nunca tomou medidas nos cargos que ocupou que tenham beneficiado a empreiteira.
O senador José Serra sempre pautou sua carreira política na austeridade em relação aos gastos públicos. A abertura da investigação é útil para comprovar a lisura de sua conduta.”

COM A PALAVRA, PAULO VIEIRA DE SOUZA

“Fábulas, mentiras e calúnias. Esse é o resumo dessas delações, que me acusam de absurdos com tramas tão frágeis, que desdenham da competência das autoridades e não sobrevivem a uma segunda leitura.

Registro apenas três, de vários exemplos:

1. O senhor Luiz Eduardo Soares diz que retirou em minha casa R$ 4 milhões em espécie, enquanto para a mesma situação o senhor Benedicto Júnior declara o valor de R$ 7 milhões.

2. Não conheço, nunca vi, nunca falei com o senhor Jonas Barcelos.

3. O senhor Luiz Eduardo Soares disse que se reuniu comigo em abril de 2011 na DERSA. Impossível. Eu nunca me reuni com ele. Meu último dia de trabalho na companhia foi 30 de março de 2010, um ano antes.

Quero crer que se trata de um gesto de desespero, de pessoas sem caráter, com o apoio de uma empresa criminosa, que tentam pagar sua liberdade com minha honra.

Oportunamente vou por abaixo, com verdades e provas, esse roteiro fantasioso.”

COM A PALAVRA, A BRASIF
“As empresas Brasif não comentam processos sobre os quais não tiveram conhecimento”.

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