Delator relata encontro com senador tucano para acertar doação em dinheiro

Delator relata encontro com senador tucano para acertar doação em dinheiro

Ricardo Pessoa, da UTC, disse que Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) pediu em 2010 doação de R$ 500 mil, dos quais R$ 200 mil em dinheiro

Redação

14 de setembro de 2015 | 20h52

Aloysio Nunes. Foto:Waldemir Barreto/ Agência Senado

Aloysio Nunes. Foto:Waldemir Barreto/ Agência Senado

Por Beatriz Bulla e Talita Fernandes, de Brasília

O dono da UTC, Ricardo Pessoa, relatou a investigadores ter acertado com o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) doação para campanha eleitoral no valor de R$ 500 mil, sendo R$ 300 mil feitos por repasses oficiais e R$ 200 mil em dinheiro. Em delação premiada, Pessoa disse que o encontro para acertar o pagamento foi feito no escritório político do senador e então candidato, na Avenida 9 de Julho, em São Paulo.

Empreiteiro diz que Mercadante presenciou acerto por doação oriunda de caixa 2

Além dos dois, participou do encontro o presidente da Constran – empresa comprada pela UTC -, João Santana, segundo o empreiteiro. Pessoa disse não se recordar sobre como foi a entrega dos valores, “sabendo apenas que o dinheiro utilizado é proveniente do caixa 2 da UTC e que teve participação do escritório de advocacia de Roberto Trombeta”.

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O empreiteiro relatou ainda que “não acreditava” na vitória do tucano, mas sabia que era um nome influente no PSDB e “um nome ministeriável sempre”. Por meio de assessoria, o senador nega o recebimento de dinheiro de caixa 2 e diz que procurou apenas o presidente da Constran, João Santana, para solicitações de doação “nos termos da lei eleitoral”.

Os pedidos de investigação feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o tucano e sobre o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, estão apartados das apurações sobre a Operação Lava Jato. O entendimento dos procuradores é que a investigação recai sobre uso de dinheiro de caixa 2, com suposta prática de crime eleitoral, sem relação com os contratos da estatal. O ministro Celso de Mello é responsável pelos pedidos de investigação no Supremo Tribunal Federal.

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