Delator entrega ‘rol de elementos de prova’ contra Vaccari

Delator entrega ‘rol de elementos de prova’ contra Vaccari

Na lista do empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, estão ‘agenda eletrônica (outlook) e e-mails indicando reuniões e contatos' com ex-tesoureiro do PT, preso na Lava Jato

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

05 de julho de 2016 | 05h00

Vaccari depôs coercitivamente em fevereiro na sede da PF em São Paulo. Foto: Felipe Rau/ Estadão - 05/02/2015

Vaccari, em fevereiro de 2015, na sede da PF em São Paulo. Foto: Felipe Rau/ Estadão – 05/02/2015

O empresário Ricardo Pernambuco Júnior, dono da Carioca Engenharia, entregou à Operação Lava Jato um ‘rol de elementos de prova’ contra o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – preso desde abril de 2015. Pernambuco Júnior é um dos delatores do esquema de corrupção e propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014 e apontou repasse de R$ 1 milhão em espécie a Vaccari.

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em 1.º de outubro de 2015, Ricardo Pernambuco Júnior afirmou que, em 2011, Vaccari foi ao seu escritório e solicitou que a Carioca fizesse uma ‘doação’ de R$ 1 milhão ao PT. Segundo o delator, a doação não se vinculava a nenhuma campanha eleitoral específica. O depoimento de Pernambuco Júnior foi anexado aos autos da Lava Jato na quinta-feira, 30.

Na lista de documentos, estão os ‘registros na portaria da sede da Carioca Engenharia em São Paulo, nas datas de 3 de fevereiro de 2014, 15 de agosto de 2014 e 26 de setembro de 2014, contemplando a presença do Sr. João Vaccari Neto na empresa [documento 04]; observação: os registros de portaria contemplam, apenas, os últimos 18 meses’. Pernambuco Júnior entregou também ‘agenda eletrônica (outlook) e e-mails indicando reuniões e contatos com o Sr. João Vaccari Neto’.

“E-mail de 15 de abril de 2011 no qual Ricardo Pernambuco Júnior solicita à sua secretária que imprima os protocolos de convites para obras na Petrobrás, os quais estavam direcionados a Renato Duque e Graça Foster, e os entregue “a Angela no PT e pedir a ela p encaminhar p Dr João Vaccari” [documento 01]”, anexou o empresário.

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“E-mail de 26 de setembro de 2011 no qual Ricardo Pernambuco Júnior relata que está “marcada em bsb uma reuniao e ele na 4o feira” (referindo-se a João Vaccari), cujo objetivo era tratar de convite para licitação de obra na Petrobrás [documento 02]. E-mail de 28 de setembro de 2011 no qual Ricardo Pernambuco Júnior solicita à sua secretária que imprima e-mail com lista de concorrentes para obra da Petrobrás, na qual a Carioca não estava contemplada, e encaminhe envelope, sem timbre, para “entregar em mãos p dr vaccari” [documento 02].”

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O documento de número 3, entregue por Pernambuco Júnior, é a ‘agenda eletrônica contemplando reuniões com o Sr. João Vaccari’.

O ex-tesoureiro do PT está preso desde abril de 2015. Vaccari Neto foi condenado a 15 anos e 4 meses por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Lava Jato.

De acordo com Pernambuco Júnior, ‘o interesse do depoente e da Carioca em atender ao pedido de Vaccari consistia na inclusão da empresa na lista de convidadas de obras da Petrobrás’.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, DEFENSOR DE VACCARI

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso rechaçou com veemência a denúncia do empresário que afirma ter entregue R$ 1 milhão em dinheiro vivo para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. “Isso não procede. Vaccari jamais recebeu dinheiro em espécie”, afirma D’Urso. O advogado do ex-tesoureiro assegura que ‘todas as vezes que alguém procurou Vaccari para fazer doações foi indicada a conta bancária oficial do Partido dos Trabalhadores para a realização dos depósitos que imediatamente eram lançados na contabilidade oficial do PT e declarados a Justiça Eleitoral’. “Nunca, jamais Vaccari recebeu valores em espécie.”

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