Delator entrega documentos de offshores da Andrade Gutierrez

Mário Góes, apontado pela força-tarefa da Lava Jato como operador de propinas, afirma que papeis estão relacionados com propinas da empreiteira

Redação

27 de setembro de 2015 | 12h00

Foto: Reprodução

Mário Góes. Foto: Reprodução

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O lobista Mário Góes, um dos delatores da Operação Lava Jato, entregou a força-tarefa do Ministério Público documentos que, segundo ele, estão relacionados a recebimento de propina de offshores ligadas à empreiteira Andrade Gutierrez. Mário Góes é apontado pelos investigadores como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás.

Preso em 5 de fevereiro deste ano, o lobista decidiu contar o que sabe sobre o esquema de propinas instalado na estatal, entre 2004 e 2014, em troca de benefícios, como redução de pena. “Dentre a documentação que apresenta nesta oportunidade ainda constam recebimentos oriundos das offshores Globo Business e Star Trading as quais pertencem ou foram utilizadas pela Andrade Gutierrez para a realização de pagamentos por conta desse esquema de corrupção”, diz o depoimento de Mário Góes.

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O delator foi questionado pela força-tarefa sobre como poderia assegurar a existência da ligação entre a empreiteira e as offshores. “A fim de responder essa indagação manteve contato com Antonio Pedro Campello, executivo da Andrade Gutierrez, o qual lhe informou que se tratavam de pagamentos feitos pela Andrade Gutierrez”, respondeu o Mário Góes, que citou o ex-gerente de Engenharia e também delator do esquema, Pedro Barusco. “Segundo dito por Pedro Barusco entre 2010 e 2012 a Andrade Gutierrez era uma das empresas que mais mantinha contratos na área de engenharia com a Petrobrás.”

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Mário Góes afirmou aos investigadores que decidiu contratar um advogado no exterior para obter documentos que pudessem corroborar suas declarações e auxiliar na repatriação de recursos. Segundo o lobista, lhe foram entregues documentos relacionados a contas utilizadas por ele junto ao banco Lombard Odier.

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Em outro trecho de sua delação premiada, o lobista confirmou que usou suas empresas, a RioMarine e a Phad Corporation, para repasse de propina e lavagem de dinheiro da empreiteira Andrade Gutierrez. O relatório da Polícia Federal que indiciou, em julho deste ano, por corrupção, fraude a licitações, organização criminosa e crime contra a ordem econômica o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e dirigentes ligados à empreiteira classificou como ‘intensa’ a relação da companhia com o lobista Mário Góes.

“A relação financeira entre a Andrade Gutierrez e o operador Mário Góes era intensa, ocorrendo pagamentos no Brasil (através da Rio Marine Oil e Gás Engenharia e Empreendimentos LTDA) e no exterior (por meio da Phad Corporation, Maranelle, Dole Tech Inc, Rhea Comercial Inc, Daydream Properties LTD. e Backspin Management SA)”, apontou o relatório assinado pelo delegado Eduardo Mauat da Silva, que integra a força-tarefa da Polícia Federal na Lava Jato.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

“Os advogados dos executivos e ex-executivos da Andrade Gutierrez informam que as respectivas defesas serão feitas nos autos da ação penal, fórum adequado para tratar o assunto. E que não discutirão o tema pela mídia.”

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