Delator é dedo-duro, diz Odebrecht

Delator é dedo-duro, diz Odebrecht

Ao ser indagado por deputado integrante da CPI da Petrobrás se faria delação premiada, presidente da maior empreiteira do País respondeu: 'Pra alguém dedurar tem que ter o que dedurar'

Redação

01 de setembro de 2015 | 12h09

Marcelo Odebrecht presta depoimento à CPI. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Marcelo Odebrecht presta depoimento à CPI. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Atualizada às 12h28

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, afirmou à CPI da Petrobrás delator é “dedo-duro”. Ele respondeu a uma pergunta de um dos deputados da Comissão que investiga corrupção na estatal se faria acordo de delação premiada. “Pra alguém dedurar ele precisa ter o que dedurar.”

“Entre o meu legado, eu acho que tem valores, inclusive morais, dos quais eu nunca abrirei mão. Eu diria que entre esses valores, eu, desde criança, quando lá em casa, as minhas meninas tinham discussão e tinham uma briga, eu dizia: ‘olha quem fez isso?’. Eu diria o seguinte: eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato”, disse Odebrecht ao deputado Altineu Côrtes (PR-RJ).

O executivo foi taxativo. “Primeiro, para alguém dedurar, ele precisa ter o que dedurar. Esse é o primeiro fato. Isso eu acho que não ocorre aqui. Segundo, tem a questão do valor moral, ainda que alguém tivesse.”

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ASSISTA: O depoimento de Marcelo Odebrecht à CPI da Petrobrás

No início da audiência, realizada em Curitiba, base da Operação Lava Jato, Odebrecht afirmou que tem colaborado com as investigações, mas que se manteria calado diante de perguntas por orientação dos advogados. Preso pela Lava Jato desde 19 de junho, alvo da Operação Erga Omnes, Odebrecht agradeceu as perguntas dos parlamentares, mas disse que não poderia se pronunciar.

“Não estou me negando a falar. Estou me delimitando a falar aquilo que não tenha relação com o processo”, afirmou.

Mesmo diante de calorosos elogios do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) à sua empreiteira, Odebrecht ficou calado. O deputado disse que a Odebrecht é ‘uma tocadora de obras’.

O parlamentar lembrou a todos que a empresa é doadora de campanhas de partidos diversos. “A Odebrecht fez doações a candidatos a governadores de vários partidos, PT, PMDB, PSDB, e fez doações para candidaturas a presidente da República de vários partidos, candidatos vencedores e candidatos derrotados.”

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